quarta-feira, 18 de março de 2015

Um retrato do que se transformou o "pai nosso" no movimento gospel

Pai Nosso

Ministério Pedras Vivas


Pai nosso nos céus
Santo é o Teu nome
Teu reino buscamos
Tua vontade seja feita
Na terra como é nos céus
Deixa o céu descer
Na terra como é nos céus
Deixa o céu descer
Faz tempo que eu venho notando no que a oração canônica do Pai Nosso vem se reduzindo dentro do movimento gospel. A princípio, notei a retirada do princípio transcendental da oração, e consequentemente do próprio Cristianismo: Seja feita a Vossa vontade. Cristo mostra que sobretudo é a vontade de Deus que deve prevalecer. Entretanto, o movimento gospel se preocupa em pedir o Vosso reino na Terra como no Céu (quanto a isso, veja aqui). Assim na Terra como no Céu diz respeito à vontade de Deus e não ao Vosso Reino.
A canção que abre a postagem aparentemente não rejeita o elemento divino transcendental "Tua vontade", porém insiste em associar uma "celestificação" da Terra, apregoando o princípio hermético de que o que está embaixo (Terra 666) deve vir a ser como o que está em cima (Céu 999).
Fazer o Céu descer quase sempre está associado às sensações sentidas durante o recitar dos mantras gospel as quais se atribuem ao agir do "espírito santo". O que inicia a era dourada da Nova Era e do mundo enquanto Nova Ordem Mundial de Baha'u'llah coincidem com as orações do movimento gospel: uma Terra celestial advinda após a certeza da visitação do espírito santo aos corações humanos.
A nossa morada não é a Terra, Cristo não ora para que Deus transforme-a em um Céu. Temos o Seu Reino invisível em nós, e será esse "nós" que Ele tomará para si.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A gravidez já pode ser diagnosticada como DST

Foi ao ar uma reportagem no canal de televisão do bispo abortista (não disponibilizada online), na qual abordava o perigo em tempos de carnaval para o aumento de casos de doenças sexualmente transmissíveis. A reportagem, embora com ares de educativa e de "utilidade pública", prestava um enorme desserviço, por infelicidade dos produtores, ao confundir indiscriminadamente DST com gravidez não planejada.

Ao mesmo tempo que se falava de HIV, de HPV, da PQP, mostrava uma solução perigosa (sic) para o problema: a pílula do dia seguinte. A dita pílula é um anticoncepcional e apenas evita a gravidez, em nada interfere nas, de fato, doenças sexualmente transmissíveis. Disso só se podia tirar uma conclusão: a gravidez é uma doença sexualmente transmissível.

Isso não é só um desatento dos editores, é um sintoma da nova cultura da morte...

Tradução: A gravidez é uma doença como as outras (imagem daqui)

sábado, 31 de janeiro de 2015

A Teologia da Missão Integral e a Mentalidade Revolucionária

Venho acompanhando aqui e ali algum material da Teologia da Missão Integral (TMI) a fim de montar um panorama da mesma que seja o mais justo possível. Seu maior expoente é mais possivelmente Ariovaldo Ramos (foto). O seu maior crítico é o blogueiro Júlio Severo, o qual é também defensor do Neopentecostalismo e da Teologia da Prosperidade, chegando a escrever um livro com o título: Teologia da Missão Integral versus Teologia da Prosperidade, disponível online e gratuitamente em seu blogue. 

O debate é bastante conturbado, sobretudo na questão de a TMI ser possivelmente uma nova roupagem, protestante, da Teologia da Libertação e, portanto, marxista. Essa é a principal crítica feita por Júlio Severo. Ariovaldo já se pronunciou afirmando que a TMI "não lança mão do referencial teórico do marxismo". Em uma "carta aberta" direcionada à recente exposição do tema no programa Academia em Debate na Tv Mackenzie, em relação a afirmação de que a TMI possa ser "uma espécie de marxismo disfarçado", Ariovaldo ressalta a TMI como uma proposta Ortodoxa, mas que apenas amplia a concepção da missiologia da Igreja.

O que deveria estar claro, mas que por algum motivo é ignorado, não é "o quão marxista" possa ser a Teologia da Missão integral, e sim aquilo que a faz se aproximar da Teologia da Libertação e consequentemente ao marxismo: a intersecção entre aquilo que seriam as bases da TMI com as caraterísticas do pensamento revolucionário moderno.


O pensamento revolucionário não se manifesta tão somente no marxismo. Por vezes pode ocorrer de intitularem tudo quanto tiver características da mentalidade revolucionária de marxismo, talvez pelo fato de no marxismo o pensamento revolucionário ser mais evidente. Acontece que a mentalidade revolucionária como fenômeno neognóstico deveria ser considerado nas análises, mas não o é e, em decorrência disso, tomei eu mesmo a liberdade de o fazer, resumidamente.

A primeira semelhança que é encontrada da TMI com a mentalidade revolucionária baseia-se na retorno ao profetismo hebraico. Ariovaldo afirmou que o conceito de justiça no profetismo hebraico é um conceito o qual a Missão Integral se estriba na recuperação. Tal como a TMI, a mentalidade revolucionária moderna busca recuperar o profetismo hebraico e a sua noção de justiça (Ler: O messianismo judaico e a mente revolucionária moderna). Cristo foi morto justamente pelo fato de estar na contra mão da noção de justiça materialista e temporal herdada pelo povo hebreu, pois Jesus anunciou um "futuro de Justiça" dentro de uma "dimensão espiritual". 

Existe um jogo antitético moderno x antigo no modo como a mentalidade revolucionária lida quanto à perfeição da realidade de mundo por qual esta busca. 

Pela terminologia de Roger Griffi, o anseio de retorno às origens pelo movimento revolucionário é chamado de palingênica (palin + genesis, retorno à origem), o qual busca findar-se naquilo que seria a reconstrução do Éden, podendo ser visto em pregações de preletores como Benny Hinn e Myles Muroe através do "plano de Deus". Entretanto, a Teologia da Missão Integral se encaixa com o termo  que o filósofo Eric Voegelin costuma usar: fé metastática, que designa a crença na transformação da estrutura da realidade em uma nova e inédita. Podemos perceber isso a partir da "doutrina da pedra".

domingo, 11 de janeiro de 2015

A ambiguidade na manifestação em Paris

Acontece hoje a manifestação em Paris pela liberdade de expressão em decorrência ao atentado à redação de Charlie Hebdo na quarta feira (7). Essa manifestação tem dois objetivos: unir os franceses e dividir os franceses.

O presidente francês François Hollande tem estado em seu pior momento desde que assumiu a presidência. As pesquisas indicavam uma quase unanimidade entre os franceses que Hollande não deveria tentar se reeleger. Em um sistema isolado a entropia só pode aumentar, ou seja, a tendência era só perda de prestígio para o presidente, a menos que houvesse uma interferência externa que reconciliasse os franceses com Hollande nem que por um momento. Foi o que aconteceu.

François Hollande pediu a união dos franceses nesse momento: "Queria pedir a união da nossa sociedade, que significa que temos que lutar contra tudo que possa nos dividir." O medo para com um inimigo externo é um importante ingrediente para o aumento de um sentimento entre os iguais, algo semelhante com Bush e os americanos no atentado de 11 de setembro. Entretanto, deve-se tomar cuidado com a escolha do inimigo: ele nunca pode ser tão visível.

Hollande continua: "Temos que ser implacáveis contra o racismo e o antissemitismo (...) Essas pessoas que cometeram esses atos dramáticos não têm nada a ver com a religião muçulmana". O inimigo tem de ser externo e invisível. É aqui que entra o segundo objetivo da ambígua marcha: dividir os franceses. A Frente Nacional francesa, que representa pelo menos 20% da população da França, já se pronunciou ser contra a manifestação e, diferentemente do Partido Socialista de Hollande, não vê o inimigo tão abstratamente, condenando a imigração em massa.

Fontes:

sábado, 3 de janeiro de 2015

A etimologia da Nova Ordem Mundial

É a coisa mais comum dentro das agendas globalistas haver alterações em algumas nomenclaturas. Lembremos o caso das metas objetivos do milênio. Sempre que houver a necessidade de alterar nome de ideologia ou slogan ideológico isso será feito com certeza. E isso sempre se dá para que se abranja ainda mais o campo de atuação ideológica, sobretudo se da maneira inaugural existirem brechas para refutações ou sátiras.

Todo mundo já ouviu falar no Aquecimento Global. O que isso traz à mente? Aumento da temperatura do planeta. Mas e os recordes de baixa temperatura que algumas regiões tiveram atingindo? Por isso, de uns tempos para cá, o Aquecimento Global Antropogênico passou a ser mais referenciado apenas por Mudanças Climáticas.

Isso já acontece nos artigos de língua inglesa já há algum tempo e vem sendo adotado pela nossa língua também. Vejamos por exemplo os artigos da Wikipédia: no artigo de língua inglesa Climate Change equivale a Global Warming.



O termo "Mudanças Climáticas" abrange mais eventos do que simplesmente "Aquecimento Global".  Até mesmo ser responsável pelas quedas de aviões.


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

O Paradoxo de RR Soares

O Telemissionário RR Soares publicou o seguinte em sua página no facebook:


Com base em seus dizeres, se eu não me sentir bem com a palavra que ele ministra, se eu sentir algo estranho (sic) em suas pregações, é porque tais não são provenientes de Deus e, portanto, devem ser ignoradas. Porém, se eu tiver de ignorar o que ele diz, devo ignorar também esses mesmos dizeres que deram origem a esse raciocínio. Logo, eu não devo medir a procedência da palavra partindo daquilo que eu sentir ao rebebê-la.

Com sua citação a Salmos 119 é impossível não lembrar de uma outra:
E tomei o livrinho da mão do anjo, e comi-o; e na minha boca era doce como mel; e, havendo-o comido, o meu ventre ficou amargo. Apocalipse 10:10 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Traduzindo os princípios da Nova Ordem Mundial - Parte 2


Harmonia essencial entre a religião e a ciência - Cientificismo


Stephen Hawking, uma das figuras mais conhecidas no meio científico, no livro O Grande Desígnio escreve o seguinte:
"Como as pessoas só vivem uma vez neste mundo gigantesco, que umas vezes é benevolente e outras vezes cruel, a olharem para o céu interminável que se estende por cima delas, interrogam-se muito. Como podemos compreender o mundo em que vivemos? Como é o universo? Qual a natureza da realidade? De onde vem tudo isto? O universo precisa de um criador? A maioria de nós não gasta em geral muito tempo com estas perguntas mas quase todos pensamos nelas de vez em quando. Tradicionalmente, estas perguntas seriam para a filosofia mas a filosofia morreu. Ela não conseguiu acompanhar os novos desenvolvimentos das ciências da natureza, em especial na física. Agora são os cientistas da natureza que, com as suas descobertas, estimulam a procura de conhecimento."

O cientificismo é uma Ideia segundo a qual afirma que tudo o que não pertença ao domínio da ciência da natureza não existe e não pode ser objeto de estudo, concedendo um valor absoluto ao progresso científico. Essa noção surgiu, dentre outras do seu tempo (há quem diga ser devido o advento do prometido), com o positivismo de Auguste Comte e hoje ganha força com nomes como o de Hawking.

No trecho apresentado acima, Hawking ilustra o sentimento oceânico, que é a fonte da religiosidade em Freud, nas indagações apresentadas, as quais outrora seriam respondidas pela filosofia. Hawking não fala da religião, que poderia desempenhar o mesmo papel, por um motivo óbvio: a religião já foi superada pela ciência há muito tempo, o que restava era a emancipação da filosofia.

Basicamente, o princípio número 2 da Nova Ordem Mundial de Baha'u'lláh, harmonia entre ciência e religião, refere-se à superioridade da ciência por parte da comunidade científica, por um lado, e à ingenuidade da comunidade religiosa/filosófica, por outro lado, ao acreditar na suposta harmonia entre elas.

As hipotéticas questões referidas no trecho estão no âmbito da admiração. A partir da contemplação sensível do mundo tais perguntas foram formuladas. Tudo isso diz respeito ao Vale da Admiração. Baha'u'llah começa esse vale definindo-lhe como "o sacudido do oceano da grandeza", ou seja, esse é o vale da excitação do sentimento oceânico do homem contemporâneo que, por sua vez, é um reflexo do regime cientificista operante.

Para ver a parte 1 clique aqui.

Fontes:
http://filosofiaes.blogspot.pt/2014/12/a-filosofia-morreu.html
https://espectivas.wordpress.com/
http://www.mdig.com.br/?itemid=16369
http://www.bahai.org.br/brasilia/Sete_Vales.htm