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quarta-feira, 18 de março de 2015

Um retrato do que se transformou o "pai nosso" no movimento gospel

Pai Nosso

Ministério Pedras Vivas


Pai nosso nos céus
Santo é o Teu nome
Teu reino buscamos
Tua vontade seja feita
Na terra como é nos céus
Deixa o céu descer
Na terra como é nos céus
Deixa o céu descer
Faz tempo que eu venho notando no que a oração canônica do Pai Nosso vem se reduzindo dentro do movimento gospel. A princípio, notei a retirada do princípio transcendental da oração, e consequentemente do próprio Cristianismo: Seja feita a Vossa vontade. Cristo mostra que sobretudo é a vontade de Deus que deve prevalecer. Entretanto, o movimento gospel se preocupa em pedir o Vosso reino na Terra como no Céu (quanto a isso, veja aqui). Assim na Terra como no Céu diz respeito à vontade de Deus e não ao Vosso Reino.
A canção que abre a postagem aparentemente não rejeita o elemento divino transcendental "Tua vontade", porém insiste em associar uma "celestificação" da Terra, apregoando o princípio hermético de que o que está embaixo (Terra 666) deve vir a ser como o que está em cima (Céu 999).
Fazer o Céu descer quase sempre está associado às sensações sentidas durante o recitar dos mantras gospel as quais se atribuem ao agir do "espírito santo". O que inicia a era dourada da Nova Era e do mundo enquanto Nova Ordem Mundial de Baha'u'llah coincidem com as orações do movimento gospel: uma Terra celestial advinda após a certeza da visitação do espírito santo aos corações humanos.
A nossa morada não é a Terra, Cristo não ora para que Deus transforme-a em um Céu. Temos o Seu Reino invisível em nós, e será esse "nós" que Ele tomará para si.

domingo, 4 de maio de 2014

O conceito de unidade na publicidade do futebol

A ideia segundo a qual afirma que "futebol é união" é de longe a principal utilizada pelas campanhas publicitárias referentes à copa. Sessenta e quatro anos depois o Brasil finalmente reencontra a sua torcida em uma copa dentro de casa, a massa de torcedores brasileiros torcendo para o país anfitrião poderia ser explorada ao máximo para reafirmar um Brasil campeão, mas ao invés disso temos o "agora somos um só" como slogan da Globo. Seria essa uma ação forçada para exaltar o "espírito de união" que supostamente leva consigo a humanidade ao reconhecimento de uma ordem mundial única? 



A Sansung vai ainda mais longe ao apresentar a união de toda a terra pelo futebol em sua campanha "o futebol vai salvar a terra". Na campanha a terra precisaria se salvar ficcionalmente de uma ameaça alienígena, essa pode ser a principal função de uma "ação extraterrestre". Dois irmãos podem brigar entre si, mas se um vê o outro sendo ameaçado por um terceiro, o sentimento fraternal de defesa faz com que os dois irmão se unam. Seria essa uma tacada final da Nova Ordem Mundial?

De qualquer maneira, em um sistema isolado a entropia só pode aumentar.[1] Para reverter esse sistema caótico, alguma intervenção externa deve acontecer, mesmo que essa intervenção seja uma mudança de forças maiores (para algum, talvez Deus) de suas moradas celestes à realidade terrestre por um movimento imanentizante. Talvez algum sinal no céu ajude, quem sabe uma estrela.

Eu não duvido que o futebol possa ser útil para o mundo, é possível que aconteça a situação de um grupo de sérvios ortodoxos facilitarem para um brasileiro, pelo fato desse vir do país do futebol, o diálogo diplomático referente a desocupação de terras pertencentes aos vizinhos albaneses, assim evitando um conflito armado. Mas qualquer coisa parecida com essas campanhas publicitárias já é demais, será?

[1] http://blogestaporvir.blogspot.com.br/2013/09/o-caos-so-pode-aumentar.html

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Imanentização: para que um pintor se podemos nos pintar?

Um castelo, jardins floridos e uma floresta ameaçadora, isso foi o que, por razões misteriosas, um pintor deixou incompleto. Três tipos de personagens vivem nesta pintura: os Toupins, que são totalmente pintados, os Pafinis, parcialmente pintados, e os Reufs, que possuem apenas algumas marcas de contornos esboçados. Considerando-se superiores e agraciados pelo pintor, os Toupins possuem o poder, perseguem o Pafinis, e escravizam os Reufs. Convencidos de que somente o pintor pode restaurar a ordem terminando a pintura, um Toupin diferente, uma Pafini aventureira e um Reuf resmungão vão à procura dele. Ao longo da aventura, tentarão sanar suas dúvidas: O que aconteceu com o pintor? Por que ele os abandonou?

A animação francesa O Quadro (Le Tableau) de 2011 traz consigo um conjunto de conceituações mundividenciais próprias dos movimentos místico-religiosos já tão abordados no blogue. O Filme ilustra bem a noção de construção do Reino de Deus na terra pela imanentização em prol da causa de igualdade. 

A realidade é uma obra inacabada

O Quadro da animação é um microcosmo da nossa realidade e assim como tal estava inacabado também a obra do Criador (Pintor) está. Uma coisa interessante destacar é que aquilo que ainda faltava para a obra estar completa não estava na paisagem (natureza), mas nos personagens (Pafinis e Reufs). Esse é o elemento que faz esses movimentos mistico-religiosos estarem engajados socialmente falando num contexto mundial.

O determinismo

O fato da obra estar inacabada acabou por acarretar numa divisão de classes por base nos "níveis de detalhes pintados" presentes nas personagens. Isso fez com que a classe dos Toupins, com maior nível de detalhes pintados, fizesse uso deste determinismo fatalístico para se afirmarem como privilegiados da parte do Pintor e assim morarem no castelo, discriminar os meio pintados, os Pafinis, e escravizar os esboços, os Reufs.

A volta do Pintor

Havia entre as classes dos não inteiramente pintados a crença de que um dia o Pintor tornaria a pintar o quadro, colocando todos em pé de igualdade de detalhes. Essa crença era ridicularizada pelos Toupins, exceto pelo apaixonado Ramo, o qual acreditava que um dia o Pintor completaria a pintura na Pafini pela qual era apaixonado. 

Como o Pintor tardava a voltar, e após um grupo composto pelo Toupin Ramo, um Reuf resmungão e uma jovem Pafini aventureira excederem os limites os quais ninguém até então havia ultrapassado, depois de fugirem das tropas dos Toupins, decidem prosseguir em busca do Pintor.

Essa é uma perfeita ilustração do conceito de imanentização escatológica: Os personagens tinham uma crença no regresso do Pintor (Eschaton), mas como tardava o artista, eles decidiram ir de encontro a Ele (trabalho imanentizante). 

 A união pela transcendência

O personagem principal, o Toupin de nome Ramo, apesar de pertencer à classe alta, se importa com as demais classes e tenta encontrar o Pintor. Essa ação, de negar as bonanças da vida de casta superior em nome da busca do favor divino, foi comum aos manifestantes solares como Siddhartha, Moisés, Krishna, Mirza Husayn, todos esses nasceram em uma linhagem social superior e optaram por serem mensageiros da luz divina.


Os três personagens, e mais tarde o pequeno soldado também, se unem com um mesmo intento: achar o Pintor. O Pintor estava fora da realidade dos Quadros, estava transcendente à sua criação. O princípio que a fé Baha'i se utiliza para sustentar a ideia de unidade das religiões está na transcendência divina (ver), o mesmo conceito utilizado pela chamada Filosofia Perene. Acontece que essa noção de unidade transcendental das religiões é apenas um simulacro que nivela as religiões por um conceito que já está a se perder no tempo. Os personagens não encontraram o Pintor, apenas sua representação em um autorretrato.


A solução


Apesar do fator que uniu os personagens ser a busca do lado de fora pelo Pintor, a solução para o problema da irregularidade da pintura eles encontraram do lado de dentro da própria realidade da pintura. Se a união das religiões é alcançado pelo elemento transcendental da divindade, é na imanentização que a solução dos problemas de fato é encontrada. Os personagens percebem que eles mesmos tinham a capacidade de mudar a realidade, desistiram da busca pelo Pintor e decidiram procurar diretamente a tinta.

Conclusão

A marca da besta na mão direita do homem é ação imanentizadora do processo escatológico, passando ao homem a responsabilidade da construção de novos céus e novas terras. A marca de Deus na fronte dos escolhidos é a fé e a certeza (a fé não possui incertezas) de sua salvação por intermédio unicamente de Jesus Cristo. O homem contemporâneo tem fobia da fé por isso coloca toda a sua confiança em si mesmo e na força de seu braço.
Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor! Porque será como a tamargueira no deserto, e não verá quando vem o bem; antes morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável. Bendito o homem que confia no Senhor, e cuja confiança é o Senhor. Jeremias 17:5-7

terça-feira, 8 de abril de 2014

Filme Noé confirma tendência Hollywoodiana

Hollywood parecia ter criado uma tendência em seus filmes que pode ser ratificada na produção cinematográfica Noé: a presença de um fundamentalismo religioso envolto no pensamento ecologicamente correto. Filme divide a terra em comedores de carne e abridores de buracos contra vegetarianos comportados.

Todos os filmes que seguem essa tendência do pensamento ecológico da Teoria Gaia possuem um enredo escatológico. A teoria Gaia ou Hipótese de Gaia admite o planeta Terra como um grande e único organismo vivo que por intermédio de seus componentes físicos mantém sua estabilidade homeostática. A Terra sendo ela por ela mesma capaz de se manter em equilíbrio, uma desregularidade desse sistema só poderia ser causado por um agente parasita como o ser humano, que comprometeria toda a sua estrutura e a sua continuidade.

A intervenção do mau ocasionando a quebra da ordem de alguma estrutura requer um retorno a essa ordem com precisas punições aos culpados. Essa receita clichê dos filmes hollywoodianos agora é endossada com elementos místico-ecológicos em que os pecados das personagens são baseados em um fundamentalismo moral sustentável. Mais do que puramente escatológicos, os enredos desses filmes são purificacionistas[1] na medida em que o castigo vem sobre os "pecadores" para purificar a humanidade (limpeza astral).

No filme de 2010, Mistério da Rua 7, o plano de fundo para a purificação escatológica da Terra foi uma lenda do início da colonização inglesa no Novo Mundo, em que um grupo de colonos havia desaparecido misteriosamente deixando para trás roupas e outros objetos. Diz a lenda que isso foi a ação de um demônio indígena que ainda havia deixado sua assinatura: a palavra "croatoan" no casco de uma árvore. No filme, essa entidade indígena, o qual condensa todo o suposto sistema imunológico da Terra da Hipótese Gaia, se livra dos pecadores "arrebatando-os" e os fazendo desaparecer.

Inclusive, a cena (ao lado) da personagem principal após acordar e verificar que toda a cidade havia desaparecido deixando para trás roupas, carros e um ponto de interrogação, é bastante utilizada em vídeos que pretendem explicar "como será o arrebatamento da igreja", talvez sem o seu autor saber que se trata na verdade de uma ilustração de uma limpeza astral do sistema imunológico de Gaia para restabelecer a ordem ecológica.

Essa tendência não nasceu em Hollywood, na verdade apenas reflete o que é a performance do cientificismo e da agenda ambiental globalista.

Apesar do contexto ecologicamente correto do filme, as personagens "boazinhas" para Gaia usavam roupas de pele de animais. Isso não computava como ação danosa à natureza nem estragava a relação com "O Criador". 
K9. Pelos de animais não vos invalidam a oração, nem nada que já não tenha espírito, como ossos e coisas semelhantes. Podeis vestir pele de zibelina, assim como usais a de castor, de esquilo e de outros animais. Baha'u'llah em  Kitab-i-aqdas

Nota

[1] Purificacionismo foi um termo desenvolvido no ensaio “Purificando o Mundo: O que pretende a nova ideologia radical” de Ernest Sternberg, professor da universidade de Bufallo, Estados Unidos

Fontes

http://cinegnose.blogspot.com.br/2011/03/o-misterio-da-rua-7-quando-religiao-se.html
https://espectivas.wordpress.com/2010/07/07/o-neopuritanismo-ou-o-purificacionismo-1/

sábado, 29 de março de 2014

Gaga mostra a parcial submissão de Lilith

Lilith é conhecida pela sua não submissão. Conta a lenda que Lilith se distanciou de Adão porque ficava por baixo na relação sexual. O sentimento de altivez na figura de Lilith é o mesmo descrito para a Prostituta (ver: Lilith, a prostituta que monta a besta?).
Quanto ela se glorificou, e em delícias esteve, foi-lhe outro tanto de tormento e pranto; porque diz em seu coração: Estou assentada como rainha, e não sou viúva, e não verei o pranto. Apocalipse 18:7
A Prostituta monta a besta até um determinado momento, depois ela é desolada e passa a um estado de submissão. O chamado filme pop da cantora Lady Gaga inicia-se com uma cena muito peculiar: uma espécie de anja ferida em uma terra desolada, com cédulas espalhadas no chão e homens de paletó tentando pegar as notas que estão a cair.


Com dificuldades, Gaga de asas tenta se locomover. Nota-se que uma flecha atravessa seu corpo. Mais à frente percebe-se que ela também carrega um arco. Gaga é um ícone da indústria do entretenimento que por sua vez é um símbolo do domínio babilônico. Ela fez esse "filme pop" com o propósito de ilustrar como os empresários estavam agindo com a sua carreira. Em linhas gerais podemos dizer que essas flechas representam o talento da artista, de modo que Gaga quis mostrar que foi ferida com o seu próprio talento.

Voltando para o campo que nos interessa, Gaga representando não só a si mesma, mas a todo o domínio babilônico, entendemos que a personagem ser atacada com flechas próprias significa a ação do globalismo ocidental iluminista em relação a si mesmo. O ataque ao WTC por exemplo. O arco de Baha'u'llah não possui flechas, não tem o intuito de ferir ou atacar, esse papel é da ordem illuminati.

Logo depois, a suposta anja chega a um determinado local frente a uma porta onde deixa o arco e é carregada para dentro por dois homens de capa preta. A desolação da Prostituta tem um caráter sacrificial, basta lembrar da série Supernatural em que Lilith precisava ser morta para que Lúcifer fosse liberto. O sacrifício é preciso para que a velha ordem, condensada no "imperialismo americano", seja transformada em uma nova ordem, por um processo de ressurreição, morrer para reviver. Gaga é levada de modo a ficar em uma posição como se estivesse presa a uma cruz.




Este lugar é o famoso Hearst Castle, lugar escolhido pela produção para representar o update espiritual da Ordem Mundial (de 666 para 999). Ela é levada para um lugar específico do castelo, a piscina Netuno, de aspecto greco-romano. Ali ocorre uma espécie de batismo, mas antes uma aparição da estrela de oito pontas, simbolo da ressignificação, da continuidade e da eternidade, processo esse que ocorre por meio do oitavo rei, o cristo cósmico Baha'u'llah.


Depois Gaga ressurge de branco. A letra da música diz que ela quer "ser a garota submissa a você" e depois afirma que quer "controlar completamente este amor". Essa é a Lilith que quer estar por baixo e por cima ao mesmo tempo. No filme ainda ressuscitam Jesus (como se ele estivesse morto), Gandhi e Michael Jackson afim de cloná-los, encher o mundo de cópias deles para fazer deste um mundo melhor.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Comercial illuminaticamente surreal

De tanta simbologia iluminati existente no comercial, acredito que o vídeo seja um pastiche, ou seja, uma reprodução, colagem, em torno de uma simbologia que se tornou difusa, seja pela nossa sujeição massiva a essa pela indústria do entretenimento ou mesmo pela banalização das teorias da conspiração.



Acontece que o simples fato de aparecer uma pirâmide em um filme por exemplo não faz disso uma mensagem subliminar. Para que a seja, é necessário que aquela pirâmide queira primeiramente passar uma mensagem. Por esse motivo a simbologia iluminati virou tão banal. As pessoas conseguiam identificar os simbolo e não raciocinavam quanto ao conteúdo da mensagem que naquele momento estava desempenhando. É só lembrar da abertura do programa CQC com simbologia explicita e os apresentadores ao tentarem explicar.

De qualquer maneira há alguns pontos no comercial que eu achei interessante ressaltar. O primeiro está aos 22 segundo do vídeo, quando o personagem principal (que carrega uma imagem sua consigo) está ao lado de uma aeromoça com o uniforme cor púrpura. Ela é levada por uma águia. Logo depois a música solta "o futuro é melhor que o passado". Tudo isso me parece uma citação ao velho império mundial, ante NOM, condessada na representação dos Estados Unidos. A águia é um simbolo norte-americano, a cor púrpura é uma das cores, junto ao escarlate, da mulher que monta a besta.

Aos 35 segundos, aparecem nove vezes simultaneamente o personagem do comercial com um fundo galáctico. Logo depois ele se depara com duas portas, aliás, duplas têm aos montes no comercial (bipolaridade 6x9). A porta a qual as setas apontam é a de número 6. A que o personagem decide abrir ("decide" porque só tem duas opções e ele querendo ir contra "o sistema", por assim dizer, vai na outra) é a de número 7. Se contarmos a partir de moisés, das religiões mais importantes que ainda resistem, o manifestante de número 7 é o Bab, cujo nome significa "A Porta". Depois que os olhos são libertos, nada pode deter. N-A-D-A em quatro cavalos.

Seguir o coração foi levado ao pé da letra no comercial. "Siga-o [o coração] e você sempre chega em um lugar melhor" é um lema para a mentalidade revolucionária e a imanentização da causa. O coração é algo próprio do homem, ou seja, só o homem pode tornar este um lugar melhor, em algo de cair os queixos. Essa é a mensagem principal do vídeo a qual nem se precisou usar simbologia ocultista.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Globo aposta em novela com elementos gnósticos

Desde sua estréia, a novela global Além do Horizonte vem enfrentando problemas na audiência. Segundo a crítica o motivo dessa problemática estaria no enredo nada convencional para uma novela da emissora. O que a crítica chamou de enredo não convencional eu dou o nome de enredo gnóstico, os  traços de uma trama que envolve temática tipicamente gnóstica são bem fortes na estória da novela.

Alice

A começar pelo nome da personagem principal: Alice. Todas as "Alices" que vieram depois da famosa Alice de Lewis Caroll (Charles Dudgson) fazem alusão a esta, isso é uma afirmação confirmada por muitos (senão todos) que trabalham com análises de obras literárias e cinematográficas. E em uma obra televisiva não seria diferente.


O "País das Maravilhas" da Alice global nos mostra outra característica do enredo que não é apenas gnóstico, mas é o gnosticismo em sua forma atual no mundo pós-moderno. A Wonderland contemporânea é uma realidade construída pelo homem, que na novela é representada pelo desejo do Pai de Alice em buscar a "felicidade concreta" dentro de uma comunidade oculta à sociedade. E nisso encontramos mais um elemento gnóstico, tanto no contemporâneo como no da antiguidade tardia: a existência de alguns pneumáticos.

Os pneumáticos e o Existencialismo

O gnosticismo divide a humanidade em três categorias: hílicos, psíquicos e pneumáticos. Os Hílicos são os presos à matéria; na novela são todas as pessoas que se conformam em viver suas vidas comuns e buscam sua felicidade nesta. Os psíquicos são aqueles que buscam a redenção pela fé; na novela são todos aqueles que buscam a felicidade, mas a veem de uma maneira abstrata. E por fim encontramos os pneumáticos, estes são aqueles que estariam aptos a alcançarem a gnosis; na novela são aqueles pouquíssimos que buscam a felicidade concreta, que tentam mudar a realidade e dedicam suas vidas a isso. Essa última é a mesma característica da mente revolucionária.

O gnosticismo acredita que todos os pneumáticos são um dia despertados para começarem sua jornada rumo a libertação. Esse despertar é de responsabilidade da Deusa Sophia (Donzela dos Céus) no gnosticismo da antiguidade tardia, mas na pós-modernidade esse papel vem sendo desempenhado por algo ainda mais imanente ao ser humano: o Existencialismo. Nesse, a busca por atribuir sentido à vida do sujeito se dá a partir da sensação de confusão deste frente a uma realidade sem sentido e absurda. Através da crise de identidade e da dúvida sobre si mesmo o pneumático pós-moderno inicia sua busca rumo a salvação e quitação de todas essas dúvidas.

A epístola conservada

O autor da novela ilustrou esse despertar de consciência através de outra característica do gnosticismo contemporâneo, sobretudo dentro de um ambiente religioso, que é o retorno a um passado glorioso. Eu estou preparando uma outra postagem exclusivamente com esse tema, mas este é aquela sensação de que existiu uma época melhor do que a atual que é marcada pela presença de alguém, que para a religião é a presença de seu maior profeta. Essa é a ferida mortal de toda a religião: a morte de seu profeta. Mas eis que surge a possibilidade de recuperar a convivência com tal. Essa também é uma maneira de manipular a massa revolucionária, como Hitler fez através da propaganda do Terceiro Reich a partir de uma reestruturação civilizacional se baseando em uma glória dos império germânicos do passado.

A Alice da novela entra em sua crise existencialista após ter conhecimento de uma carta de seu pai que ela acreditava estar morto. Aqui fica impossível não traçarmos um paralelo com o advento de Baha'u'llah que se diz ser a volta de todos os profetas anteriores e escreveu epístolas a reis e sacerdotes de todo o globo. Mas sobre tais epístolas não se pode afirma nem que foram lidas por aqueles a quais foram destinadas. A mesma coisa aconteceu na novela, a leitura da carta foi preservada para um estágio de maturidade da personagem.

O mito da besta

Em um outro núcleo da novela, na cidade fictícia de Tapiré, corre entre os moradores a lenda de uma besta que ataca e mata suas vítimas. Sabe-se que a pessoa foi vítima da besta através de uma marca que essa deixa no corpo. Em uma análise gnóstica, a besta do apocalipse é a representação do ser ser humano que não tem controle sobre si. Lá, a besta de fato existe, e é o "dono" da cidade, Kléber. Ele é uma espécie de Demiurgo dentro de uma esfera menor, que tenta impedir a chegada do conhecimento (gnosis) trazido por Celina, a professora, que libertaria os moradores da opressão de Kléber. O nome Celina vem da palavra "céu" e pode ser uma alusão àquela que é vinda do céu: Sophia e a Rainha dos Céus. Aqui a besta é tratada apenas em seu estado bruto (666) de trevas, a besta age no blackout, quando não há luz (9). Ou seja, depois que a besta (666) for vencida, não há mais necessidade de se preocupar com ela, então afirmar que ela continuaria existindo em outra forma (999) seria persistir em uma lenda.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O dia em que meu quarteirão gritou, e não era "Gol"

Era para lá das dez horas da noite quando escutei alguns gritos que pareciam sair de cada casa do quarteirão. Mas não havia jogo passando. Soube do que se tratava graças a alguns narradores de novela que tenho como amigos de facebook: o beijo gay. A cena por si só não foi grande coisa, não ganha nem do episódio em que os jogadores do Corinthians deram um selinho.

Mas a cena principal veio logo em seguida e essa eu consegui acompanhar, apesar de eu achar um desperdício de existência. O intuito era achar mensagens coincidentes para alimentar a minha paranoia de todo dia. E olha, os resultados foram excelentes.

A cena final consiste em pai e filho na areia da praia. O pai está a direita do filho (inversamente a DEUS e seu filho, O CRISTO) simbolizando a superioridade do filho (Félix - naquele momento, após a cena do beijo, não é outra coisa a não ser a personificação da "diversidade"). O pai (César - ditador, imperador, durão etc) cede ao amor (que lindo!), mas somente após a vista embaçada do alvorecer do dia.
85. Ó Imperador da Áustria! Aquele que é o Alvorecer da Luz de Deus (...) Abri vossos olhos, a fim de poderdes contemplar esta Visão gloriosa e reconhecer Aquele a Quem invocais durante o dia e a noite, e fitar a Luz que brilha deste Horizonte luminoso. Kitab-i-aqdas
As recorrências da linguagem simbólica usada por Baha'u'llah encontradas na cena da novela são vistas até por cego. A vista embaçada é pelo simples motivo: agora que estamos começando a enxergar a "era dessa revelação gloriosa" a qual Baha'u'llah falava em seus escritos. Esse é um trecho da epístola de Baha'u'llah enviada ao Imperador da Áustria, Franz Joseph I. Mas quem era responsável pelas relações exteriores do império era o primeiro ministro, seu filho, o príncipe Félix de Schwarzenberg.

Franz Joseph I
Félix zu Schwarzenberg
A respeito daqueles que não volverem suas faces ao reconhecimento dessa revelação e o tumulto que estamos vivenciando por esses dias (os parágrafos são meus)
A terra foi sacudida (...) A maioria do povo está confusa em sua embriagues e mostram eles em suas faces evidências de ira. (Aos que nos acusam de homofobia estamos repletos de ira) Assim, fizemos reunirem-se os perversos. (a mídia, como já disse outras vezes, mais que a doutrinação, é responsável por levar ao extremo de opinião. Desta forma, aqueles irados do início são reunidos) (...) Eles os vêm e ainda assim não os reconhecem. Seus olhos estão ébrios; eles são, na verdade, um povo cego.   
Dize: - Os céus foram dobrados e a terra está em Sua Mão. Os corruptos foram apanhados por seus topetes, e ainda assim não compreendem. Bebem da água contaminada e não o sabem. (Água sempre tem uma conotação de ensinamento, palavra, "fonte da revelação", nesse contexto a água contaminada seria a revelação de um manifestante que pelo passar do tempo acabou se contaminando e não mais reflete a pureza inicial, sendo necessário renovar a fonte, se atualizar quanto aos ensinamentos. O que Baha'u'llah escreve em seguida comprova essa tendência) (...) Os versículos de Deus foram revelados, e ainda assim se afastam deles. Sua prova foi manifesta, e, no entanto, eles a ignoram. De "A proclamação de Baha'u'llah"

Essa não é a primeira vez que coincidências com nomes de figuras importantes na história da fé baha'i aparecem em novelas da Globo. Na novela que antecedeu essa, o personagem que ajudou a protagonista a fugir do cárcere a qual estava vivendo na Turquia se chamava Mustafá. É o mesmo nome do líder revolucionário que ajudou a derrubar o Império Otomano e instituir a república da Turquia, liberando assim alguns prisioneiros do cárcere que o Império mantinha, entre eles Abdu'l-bahá, o qual, depois disso, iniciou suas palestras na América e Europa.
Tudo o que podemos razoavelmente aventurar-nos a empreender é esforçamo-nos por obter um pálido vislumbre dos primeiros traços da prometida Aurora, a qual, na plenitude dos tempos, há de dissipar as trevas que envolvem a humanidade. Tudo o que podemos fazer é assinalarmos, em seu mais amplo esboço, o que nos parecem ser os princípios norteadores que alicerçam a Ordem Mundial de Bahá’u’lláh. Shogui Effendi

domingo, 19 de janeiro de 2014

Os absurdos nas "teorias da conspiração" os são por ponto de vista

É muito comum a esquerda jogar tudo quanto se julga por "teoria da conspiração" para o lado oposto do espectro político. O episódio que mostra bem essa concepção é aquele em que o colunista do Folha de São Paulo, Antonio Prada, simulou em seu texto a adesão de idéias as quais, segundo a ironia do próprio texto, não passam de teorias mirabolantes sobre conspirações da direita política, como são as investidas gayzistas, feministas entre outros movimentos da massa revolucionária.

Mas a noção conspiratória se equivale aos dois lados, ou a quantos outros lados tiverem o espectro político-ideológico. Por exemplo o fato em que a FIFA "não quis saber do casal de negros e escolheu um casal de loiros sulistas para apresentar a cerimônia do sorteio de grupos para a Copa do Mundo" (aqui). Isso, por mais que saibamos que o preconceito existe, é uma teoria com o intuito de asseverar a discriminação existente entre as elites. Ora, não é diferente das "teorias da conspiração da direita".

Um elemento indispensável em qualquer teoria da conspiração é sem dúvida a presença da mensagem subliminar. Existem as mais absurdas dessas nas teorias comumente achadas na web, mas a que você vai vê a seguir não existe igual nem nos piores blogues sobre "iluminates".  A carta a seguir (via) é de uma associação feminista o qual enxerga em textos e cantigas populares elementos que "constitui um retrocesso no que se refere ao desenvolvimento e concretização dos Planos para a Igualdade", mostrando como há nessas, mensagens que às crianças são subliminares beneficiando a "tolerância da violência no namoro", entre outras "mensagens sexistas".


CARTA ABERTA AO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
A propósito do texto da Prova de Aferição do Ensino Básico 2010
A UMAR, União de Mulheres, Alternativa e Resposta, vem denunciar a mensagem estereotipada presente no texto da Prova de Aferição do Ensino Básico 2010. Este texto atenta a a legalidade portuguesa em matéria de igualdade, assim como se constitui um retrocesso no que se refere ao desenvolvimento e concretização dos Planos para a Igualdade. 
Nessa medida, vimos junto de V.Exa. denunciar este acto irresponsável de sexismo que mostra como em Portugal não existe, por parte do Estado, uma consciência real no que se refere às suas próprias políticas. 
Em primeiro lugar, a utilização por sete vezes, do vocábulo Homem tem sido desde há muito denunciado como prática de uma linguagem sexista que vem sendo substituída pela necessidade de uma linguagem mais inclusiva, matéria, aliás, do Referido no III Plano da Igualdade 2007/2010 e da Lei nº 47/2006. 
Mas não é só esta mensagem que está presente neste texto. É um texto que, de alguma maneira, se assemelha à letra da canção « O mar enrola na areia », que a certa altura da canção, se explicita « bate nela quando quer ».
Ora vejamos o texto que aqui nos traz. 
Em primeiro lugar, há em todo o texto uma atmosfera de namoro entre o personagem Homem e a personagem Lua : « houvera entre ambos uma espécie de longo namoro à distância», « o Homem, porém, nunca deixou de lhe dedicar belos poemas ». 
Em segundo lugar, é um namoro que parece correspondido : « a Lua procurou sempre enviar-lhe as suas centelhas de luz como se quisesse dizer-lhe « sabes onde estou… » », aliás, « o Homem nunca teve dúvidas a esse respeito ». 
Situadas/os que estamos num contexto de namoro, vejamos agora como este texto passa uma mensagem estereotipada e de tolerância à violência de género: « Quando o Homem pisou o seu solo áspero e poeirento », « Quando o homem pôs a primeira vez os pés no solo lunar »
Dirão que esta é uma linguagem figurada e que, portanto, fazer aqui a ligação a personagens humanas é um exagero. Assim seria, se não fosse o resto do conteúdo do texto. Todo o texto faz a personificação da LUA como uma Mulher, e aqui vemos como as mensagens subliminares de tolerância da violência no namoro se conjugam com a perpetuação dos estereótipos : « …a Lua sentiu-se (…) triste, por não ter sido avisada com tempo suficiente, para se embelezar e poder recebê-lo », « ela queria estar bela e sedutora no momento daquele encontro », « A Lua, como qualquer mulher que cuida da sua imagem… », « …tinha para lhe mostrar (…) a solidão das suas crateras… ». 
Mas não fica por aqui, a mensagem vai mais longe : o enamoramento à distância é muito melhor do que a relação real entre corpos e tempos : « A Lua (…) sempre soubera que a distância favorece o jogo do enamoramento, pois mantém pouco visíveis as rugas, as madeixas desalinhadas e outras pequenas e grandes imperfeições… » 
Finalmente, e depois de tudo isto, ainda se coloca como exercício de escrita um « Bilhete », que vem já assinado como « O Homem », condicionando qualquer pensamento crítico, divergente, não estereotipado, não deixando espaço de liberdade a raparigas e a rapazes que não se identifiquem com esta estereotipia balofa e atentadora dos direitos humanos. 
Enquanto organização feminista e de mulheres não poderíamos deixar passar em branco esta pérola de sexismo, de agismo e, sobretudo e de forma inaceitável, de tolerância à violência de género. 
Bem sabemos que o texto é de um escritor reconhecido ao qual não queremos tirar o mérito. No entanto, qualquer equipa com um pouco mais de consciencialização poderia escolher do mesmo autor centenas de excertos sem esta estereotipia e tolerância à violência de género. Até porque colocar a Lua como vítima nem sequer é artístico. 
Maria José Magalhães 
Presidente da UMAR 

sábado, 18 de janeiro de 2014

Sede da EXPO 2020

Em julho do ano passado mostrei as candidaturas para sediar a EXPO 2020 (veja aqui). Pois bem, na data de 27/11 a cidade escolhida para ser a sede foi anunciada: Dubai. 


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Conspiranoia: Quando o deboche vira pastiche

Imagem 1 - fonte: apocalink
A divulgação da elite illuminati em grande escala já a algum tempo fez com que sua simbologia fosse conhecida por uma multidão. Nisso, uns se juntaram ao grupo dos "fora do sistema" enquanto outros veem tudo isso com olhos de deboche. E como estamos diante da "geração zueira" tudo hoje é motivo para ser ridicularizado. Paródias lotam os meio de entretenimento de massa, a televisão e sobretudo a internet passam a ser um celeiro delas. Paródias de torcidas de futebol, de ideologias políticas, de estilos musicais, de igrejas e lideranças religiosas, e nesse contexto as mensagens subliminares dos teóricos da conspiração não ficam atrás.

imagem 2 - Paródia com simbologia illuminati exagerada
A paródia muitas vezes é apregoada de forma a debochar da obra original se apresentando com um teor cômico, satírico. Uma paródia é perceptível como tal na medida em que esta se apresenta de maneira exagerada, beirando o absurdo, como é de costume. A paródia pode ser divertida quando conseguimos identificar o elemento humorístico que ela deveria carregar consigo, mesmo quando se trata de uma paródia de nós mesmos. A paródia perde o sentido quando o parodiado não percebe que aquilo que ele está sendo apresentado é uma ironia e passa a se reconhecer na caricatura. Quando isso acontece a paródia se torna um pastiche.



“O pastiche é, como na paródia, a imitação de um estilo singular ou exclusivo, a utilização de uma máscara estilística, uma fala em língua morta: mas a prática desse mimetismo é neutra, sem as motivações ocultas da paródia, sem o impulso satírico, sem a graça, sem aquele sentimento latente da qual ainda existe uma norma, em comparação com a qual aquilo que está sendo imitado é, sobretudo, cômico. O pastiche é paródia lacunar, paródia que perdeu o senso de humor” (JAMESON, Frederic. “Pós-Modernidade e Sociedade de Consumo” IN:Novos Estudos Cebrap, São Paulo, número 12, junho de 1985, p. 18).
Se tratando de simbologia illuminati é muito fácil acontecer de uma paródia se tornar um pastiche pelo fato de haver tanta especulação, tanta confusão de pensamento, tanta gente paranoica esquizofrênica que não consegue diferenciar o que é verdadeiro de apenas uma ironia. Até a "mídia grande" é facilmente tragada pela falsa notícia e por pegadinhas que deveriam ser facilmente percebidas como sarcásticas, mas que pela necessidade da notícia a qualquer custo e a falta da testificação da mesma, são levadas a sério até a última instância, como foi no caso da pegadinha (veja aqui) do estudante que se fez passar por um atrasado no ENEM. Mas se até jornalistas e editores que trabalham com a notícia e fazem um compromisso de testar a veracidade dos fatos caem em um simulacro, quem dirá a "mídia alternativa"...

Para finalizar eu vou deixar essa imagem abaixo com o seguinte questionário: A imagem 3 é é de fonte séria como na imagem 1, ou é uma sátira como na imagem 2? Perceba que tem o conteúdo semelhante à imagem 1 , porém a estrutura é a mesma da imagem 2. 
Imagem 3
Se você teve dificuldade em discernir, é até normal, isso é fruto da guerrilha semiológica que virou a internet. Cria-se uma mídia alternativa que vai contra a mídia centralizada e ao mesmo tempo se constrói uma mídia ainda mais alternativa que vai contra os exageros da mídia alternativa inaugural. 

sábado, 7 de dezembro de 2013

Reencarnação, a prisão do espírito e a revelação progressiva, unidos pelo número 9

A reencarnação é uma doutrina presentes em muitas correntes místicas. A maioria delas assume a ideia de que reencarnar é preciso para que haja um efeito progressista de elevação do espírito do homem a cada estágio em que essa pessoa passa, até que se atinja um determinado nível de ascensão do espírito que não seja mais preciso reencarnar em corpo terrestre. Porém existe também a perspectiva gnóstica da reencarnação, a qual acredita que o processo de reencarnar, sobretudo no fator "amnésia em relação às vidas passadas", não seja nada além de mais uma das armadilhas da realidade criada por Demiurgo, o deus responsável pelo mundo físico, para manter o espírito humano preso.
 
O responsável por fazer a conexão entre a teoria da reencarnação e a teoria baha'i de revelação progressiva, que aqui será apresentada, foi o filme "Número 9" ou, em inglês, "The Nines".
 
O filme mostra diferentes histórias com os mesmos atores desempenhando papeis independentes nessas, porém havendo uma sincronia e uma ligação entre as mesmas, fazendo com que existam padrões nas narrativas, dando ênfase na presença do número nove, aparecendo várias vezes ao decorrer de todas as histórias.
 
Para entender o papel que o número nove desempenha no enredo do filme, devemos lembrar antes que para uma perspectiva gnóstica e esotérica em geral, os números são algo que existem para além de suas aplicações práticas na terra. Recorrendo a ciência platônica, vemos que a geometria foi a ferramenta utilizada para a organização do mundo dos sentidos, o mundo físico, por uma entidade superior, Demiurgo. No filme, essa entidade, embora não seja retratada diretamente, recebe a conotação gnóstica que a coloca como malevolente, para passar a ideia de que os números, sobretudo o nove que está em evidência, são uma ferramenta que o homem pode e deve usar na luta contra essa opressão divina.
 
Para o gnosticismo, Demiurgo é o deus de Moisés, e consequentemente, apesar de alguns não considerarem, o Pai a quem Jesus fala, o nosso Deus Altíssimo. Entender que Deus é uma entidade opressora é cumprir o que está escrito em 2 Tessalonicenses 2: querer se colocar acima de Deus, julgando o que um deus deveria ou não fazer. Essas ideias gnósticas deveriam ir contra a Ordem Mundial de Baha'u'llah, já que Baha'u'llah afirma vir da mesma parte de Moisés e Jesus, ideia exposta através da revelação progressiva, que é uma ideologia da fé baha'i em que consiste na afirmativa de que todas as grandes religiões são provenientes de um mesmo deus, de maneira que a cada religião seu profeta maior foi responsável por portar a mensagem que era necessária ser transmitida, tendo em vista fatores como a época e a maturidade do povo receptor dos ensinamentos.
 
O que uniu os dois ensinamentos foi a maneira como o número foi colocado no filme, que é válida para a reencarnação gnóstica e a revelação progressiva: o número nove como símbolo para a finitude de estágios e libertação do homem. O número nove seria aquilo a que o homem deveria se apegar para conseguir a emancipação espiritual, seja através do reconhecimento do nome cristo cósmico Baha'u'llah, seja através do número de seu nome.

Outro elo que podemos notar é a presença feminina nas diferentes encarnações sempre a desempenhar o papel de levar o protagonista a entender a realidade que estava vivendo. É o mesmo papel de Sophia no gnosticismo, e da Donzela do céu a qual Baha'u'llah se refere como sendo a que o despertou para conhecer a sua missão.
 
Em suma, mesmo que crenças não cristãs pareçam ser opostas entre si, as duas acham um caminho que no fim de tudo derrapa no mesmo lago: a perdição.
 

sábado, 5 de outubro de 2013

Reason Dies - análise da letra e do videoclipe



No início do videoclipe o personagem principal abre os olhos como que se despertasse com algo, porém seus olhos são inteiramente brancos, sem pupilas, e como alguém sem pupilas não enxerga, temos no início do clipe uma retratação do cidadão global que caminha atrás de algo sem que ele se quer veja para onde está indo. Isso simboliza as ações orquestrada dos globalistas iluministas, mas também devemos fazer um paralelo com as sete vozes que saem de os sete vales que guiam a humanidade para o abismo.

E por falar em 'guia', a própria letra nos passa essa ideia "Hipnotizado por este sonho, deixo sua alma ser meu guia". "Este sonho" é na verdade a utopia de um mundo em unidade. E para vocês verem que eu dizer que o destino é o abismo não é um exagero meu, o próprio videoclipe comprova a minha ideia aos 37 segundos.

Mais assustador do que ver o personagem do clipe mergulhando cabeça a baixo em uma região abissal, é escutar a letra da música dizer "achando o amor em um estranho, de forma estranha". Quem é esse estranho? É algo que a humanidade não tem conhecimento mas ama, em outras palavras, o convênio de Baha'u'llah e suas ideias de unidade global que podem ser visto nos discursos em favor da meio ambiente, diálogos inter-religiosos, etc.

O coração do personagem é uma espécie de mini aquário com um peixe dentro. É uma menção ao estado bruto do homem, a sua limitação. O peixe aí existe enquanto uma representação física do ser que vive na água, aprende com a água, mas não é a água. O homem ir ao fundo do oceano é romper com a era de peixes e buscar a era de aquários, que é marcada por vivenciar as profundidades que a limitação de um peixe não o permite.

A parte seguinte da música é de se notar a relação com o "derramar da Glória de Deus" no homem, ou se preferir, o batismo com o falso espírito santo. A letra traz "Um sussurro me deu seu nome, em meu coração ardendo em chamas" e aqui fica clara a dupla manifestação da Rainha dos Céus e seu filho/esposo. O nome do prometido é algo ainda desconhecido para a grande maioria, e como tal ficará assim até que o nome oculto seja anunciado claramente pela noiva mística do cristo cósmico.
Mergulhado em amarguras, ouvi uma voz, a mais doce e maravilhosa, a chamar sobre Minha cabeça. Voltando Meu rosto, vi uma Jovem - personificação do nome do Meu Senhor. Baha'u'llah em O Chamado do Senhor das Hostes 

Ó Donzela do Céu! Sai dos aposentos do paraíso e anuncia aos povos do mundo: Pela retidão de Deus! Já veio Aquele que é o Mais Amado dos mundos -   Baha'u'llah em O Chamado do Senhor das Hostes 

...a Donzela do Céu, resplandecente, sem véu, apressou-se a sair de Sua mansão mística e perguntou seus nomes, e todos foram ditos, menos um.” Palavras Ocultas, Baha'u'llah
A ideia de 'fluir' é a mais intrínseca aos nova-eristas que aguardam a era de aquários, e também é vista na letra da música "E nós estávamos andando no ar, através das nuvens, sentimentos em fluxo.", nesse estado o homem deixa de ser levado pelo fluxo e passa a ser ele próprio o fluxo. É nisso que estão contidas as experiências religiosas de êxtase. No videoclipe a ideia é representada através de uma criatura amorfa (cerca de um minuto de clipe), já que a água (era de aquários) não tem forma em si.

O êxtase é associado na letra à experiência de "tocar o Sol". E no vídeo é ainda mais explícito: o lótus, o qual após a própria estrela de nove pontas, melhor representa o espírito do cristo cósmico Baha'u'llah dentro das religiões orientais.

A inversão polar também é vista logo em seguida, em que a flor vira-se ao avesso. E então a flor (batismo com o espírito santo) é tido com o marco para o início de uma nova era, pois esta se transforma em uma 'água-viva', e é nessa tecla que estou desde o início do post batendo: a ideia da nova era de "deixar de ser peixe" o qual vive na água e passar a "ser a própria água", a água viva! 

No demais não há muito o que ser comentado, pois a partir daí o cidadão global vive de maneira a se acostumar com essa nova fase da humanidade, e isso é representado com a escalada do personagem na "água-viva". Claro que nem tudo é maravilha e assim sendo não poderia deixar de existir no videoclipe essa ideia de adaptação. E adaptar-se significa morte. o Personagem nessa escalada não resiste, pois seu corpo ainda possui as limitações de antes.

A inversão polar antes tinha ocorrido externamente no macrocosmo "a flor", porém deve-se também ocorrer internamente no microcosmo "o ser humano", só então ele retoma a escalada.

A perda da individualidade também é representada a partir do momento em que a "água-viva"  que neste caso representa o espírito global, toma conta de todo os eu corpo, ou seja, o indivíduo passa a fazer parte de algo maior que ele: a construção do reino de Abhá.

A prostituta é quem seduz o cidadão global para o reino da besta, pois ela é admirável em oposição à besta de semblante feroz. O sistema iluminista representada pela figura de Lilith ou de suas múltiplas alegorias ao longo da história é responsável por cativar a alma dos povos, como você mesmo pode perceber acima quando no trecho de "O chamado do senhor das hostes" Baha'u'llah dá à donzela do céu o papel de anunciá-lo ao mundo.

Aos 4:11 de vídeo essa noção é explicitamente posta ao público. A mão no coração (“Meu coração de minha mãe... Meu coração de transformações”, que significa a fonte de renascimentos. ) e as asas de borboletas são duas das principais simbologias em relação ao controle mental e devoção ao sistema iluminista. Além claro das pequenas flores de 6 pontas nas extremidades.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Os métodos da seita de Moon e os planos da Fé Baha'i

O método de aprendizagem, ou lavagem cerebral se preferir, feito pelos membros da Igreja da Unificação do agora falecido Reverendo Moon, se assemelha aos métodos de permeação dos ensinamentos de Baha'u'llah na sociedade, porém estes feito em escala global.

A pessoa é convidada a ouvir uma palavra inovadora, mas diferente de outras religiões que já vão dando a entender a origem de tal palavra, "tem um tempinho para ouvir a palavra de Jeová?", a seita de Moon oculta inauguralmente o portador da mensagem, para que não haja desgaste de sua imagem.

Inicia-se a introdução dos ensinamentos de Moon no indivíduo, porém é importante a primeiro momento ocultar a fonte (o próprio profeta). Os ensinamentos introdutórios são superficiais, e assim é muito comum ver certas similaridades com as crenças inaugurais desse indivíduo, fazendo com que este se "sinta em casa". A utilização de símbolos sagrados (livros sagrados, numerologia, entre outros) que levam ao profeta são livres, já que a maioria das pessoas não estão atentas a tais detalhes.

Assim é aplicado os ensinamentos de Baha'u'llah no cidadão global sobre unicidade e diversidade, com o intuito de criar o "espírito universal de paz e amor" para o grande dia da revelação. Uma coisa é importante salientar, o nome é a mais suprema referência ao ser (maior que o número e o sinal), portanto não deve ser "dito em vão", mesmo quando os ensinamentos estão sendo repassados, o nome do prometido deve estar oculto, se manifestando na maioria das vezes através de uma representação, no caso de Baha'u'llah através de seu número.
29. Dize: Este é aquele conhecimento oculto que jamais há de mudar, pois inicia-se com o nove, o símbolo que representa o Nome oculto e manifesto, inviolável e inacessivelmente excelso. Kitab-i-Aqdas - Baha'u'llah
Certas similaridades entre Reverendo Moon e Baha'u'llah

* A usurpação do Espirito Santo.
Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim. João 15:26
Este versículo é mal utilizado pelas duas seitas para referenciarem uma suposta declaração de Cristo da vinda de seus respectivos profetas. Ora, este versículo trata da vinda do Espirito Santo e não de um profeta, seja ele se referenciando como menor, igual ou maior do que Cristo

* A ideia de revelação progressiva

Reverendo Moon dizia ser o segundo advento de Cristo e de demais profetas, tais como Moisés e Buda.

* O Sol da verdade

A ideia de intensidade da luz do manifestante divino é algo compartilhado pelas duas seitas, sendo que seus respectivos profetas são a suprema manifestação divina. Os níveis segunda a seita de Moon são comparáveis à uma vela (Moisés), lâmpada (Cristo) e Sol ( Reverendo Moon)
A elocução de Deus é uma lâmpada cuja luz são estas palavras: Sois os frutos de uma só árvore e as folhas de um mesmo ramo. Consorciai-vos com o máximo amor e harmonia, com amizade e solidariedade. Aquele que é o Sol da Verdade dá-Me testemunho! Baha'u'llah em Epístola do Filho do Lobo
* O livrinho
E tinha na sua mão um livrinho aberto. E pôs o seu pé direito sobre o mar, e o esquerdo sobre a terra; Apocalipse 10:2 E ele disse-me: Importa que profetizes outra vez a muitos povos, e nações, e línguas e reis. Apocalipse 10:11
A interpretação da seita de Moon quanto a esta passagem é assustadora, segundo seus adeptos "profetizar outra vez" significa uma nova revelação, passando a mesma ideia de Baha'u'llah e seus sete vales (sete trovões). (Ver: João e o Livrinho parte 1 - parte 2 - parte 3)

Aqui está a grande diferença entre uma pessoa que tem conhecimento e a que não o possui: Os ensinamentos de ambas as seitas são a primeiro princípio vindas às nossas bocas como sabor de mel (de tal forma como o livrinho de apocalipse 10), porém quem possui conhecimento para discernir, tal doçura ao estômago (depois que se digere a mensagem) se torna muito amarga.
Fui, pois, ao anjo, dizendo-lhe que me desse o livrinho. Ele, então, me falou: Toma-o e devora-o; certamente, ele será amargo ao teu estômago, mas, na tua boca, doce como mel. Apocalipse 10:9