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quarta-feira, 18 de março de 2015

Um retrato do que se transformou o "pai nosso" no movimento gospel

Pai Nosso

Ministério Pedras Vivas


Pai nosso nos céus
Santo é o Teu nome
Teu reino buscamos
Tua vontade seja feita
Na terra como é nos céus
Deixa o céu descer
Na terra como é nos céus
Deixa o céu descer
Faz tempo que eu venho notando no que a oração canônica do Pai Nosso vem se reduzindo dentro do movimento gospel. A princípio, notei a retirada do princípio transcendental da oração, e consequentemente do próprio Cristianismo: Seja feita a Vossa vontade. Cristo mostra que sobretudo é a vontade de Deus que deve prevalecer. Entretanto, o movimento gospel se preocupa em pedir o Vosso reino na Terra como no Céu (quanto a isso, veja aqui). Assim na Terra como no Céu diz respeito à vontade de Deus e não ao Vosso Reino.
A canção que abre a postagem aparentemente não rejeita o elemento divino transcendental "Tua vontade", porém insiste em associar uma "celestificação" da Terra, apregoando o princípio hermético de que o que está embaixo (Terra 666) deve vir a ser como o que está em cima (Céu 999).
Fazer o Céu descer quase sempre está associado às sensações sentidas durante o recitar dos mantras gospel as quais se atribuem ao agir do "espírito santo". O que inicia a era dourada da Nova Era e do mundo enquanto Nova Ordem Mundial de Baha'u'llah coincidem com as orações do movimento gospel: uma Terra celestial advinda após a certeza da visitação do espírito santo aos corações humanos.
A nossa morada não é a Terra, Cristo não ora para que Deus transforme-a em um Céu. Temos o Seu Reino invisível em nós, e será esse "nós" que Ele tomará para si.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Traduzindo os princípios da Nova Ordem Mundial - Parte 2


Harmonia essencial entre a religião e a ciência - Cientificismo


Stephen Hawking, uma das figuras mais conhecidas no meio científico, no livro O Grande Desígnio escreve o seguinte:
"Como as pessoas só vivem uma vez neste mundo gigantesco, que umas vezes é benevolente e outras vezes cruel, a olharem para o céu interminável que se estende por cima delas, interrogam-se muito. Como podemos compreender o mundo em que vivemos? Como é o universo? Qual a natureza da realidade? De onde vem tudo isto? O universo precisa de um criador? A maioria de nós não gasta em geral muito tempo com estas perguntas mas quase todos pensamos nelas de vez em quando. Tradicionalmente, estas perguntas seriam para a filosofia mas a filosofia morreu. Ela não conseguiu acompanhar os novos desenvolvimentos das ciências da natureza, em especial na física. Agora são os cientistas da natureza que, com as suas descobertas, estimulam a procura de conhecimento."

O cientificismo é uma Ideia segundo a qual afirma que tudo o que não pertença ao domínio da ciência da natureza não existe e não pode ser objeto de estudo, concedendo um valor absoluto ao progresso científico. Essa noção surgiu, dentre outras do seu tempo (há quem diga ser devido o advento do prometido), com o positivismo de Auguste Comte e hoje ganha força com nomes como o de Hawking.

No trecho apresentado acima, Hawking ilustra o sentimento oceânico, que é a fonte da religiosidade em Freud, nas indagações apresentadas, as quais outrora seriam respondidas pela filosofia. Hawking não fala da religião, que poderia desempenhar o mesmo papel, por um motivo óbvio: a religião já foi superada pela ciência há muito tempo, o que restava era a emancipação da filosofia.

Basicamente, o princípio número 2 da Nova Ordem Mundial de Baha'u'lláh, harmonia entre ciência e religião, refere-se à superioridade da ciência por parte da comunidade científica, por um lado, e à ingenuidade da comunidade religiosa/filosófica, por outro lado, ao acreditar na suposta harmonia entre elas.

As hipotéticas questões referidas no trecho estão no âmbito da admiração. A partir da contemplação sensível do mundo tais perguntas foram formuladas. Tudo isso diz respeito ao Vale da Admiração. Baha'u'llah começa esse vale definindo-lhe como "o sacudido do oceano da grandeza", ou seja, esse é o vale da excitação do sentimento oceânico do homem contemporâneo que, por sua vez, é um reflexo do regime cientificista operante.

Para ver a parte 1 clique aqui.

Fontes:
http://filosofiaes.blogspot.pt/2014/12/a-filosofia-morreu.html
https://espectivas.wordpress.com/
http://www.mdig.com.br/?itemid=16369
http://www.bahai.org.br/brasilia/Sete_Vales.htm

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Desinformação: A Zueira Metalinguística


Esta foto acima é uma versão "zuada" da foto em que Dilma come um cachorro-quente em Osasco. A montagem foi feita por uma página humorística de Facebook da cidade, sem intenções políticas. Entretanto, a imagem acabou ganhando grande visibilidade devido aos compartilhamentos vindos de páginas "anti-petralhas".

A imagem não passava dúvidas de que era uma montagem e que não era sua intenção veicular um fato real.  Mas isso não impediu da mesma ganhar uma proporção que nem seus criadores imaginavam, e caminhar por discussões não pretendidas. É aqui que entra o conceito de "zuera metalinguística": Uma paródia que se baseia em outras anteriores, de tal forma que se perde a noção das características que formam uma paródia – como a ironia e o humor.

No mesmo embalo da divulgação da dita imagem, uma nova página com o nome de "É mentira da Direita" foi criada com um caráter ambíguo: esta seria uma página de esquerdistas ou seriam direitistas parodiando o esquerdismo? A tal página sentiu a necessidade de fazer uma refutação à claríssima montagem de Dilma comendo um pombo.


Na refutação percebemos alguns elementos que são típicos (ou será que não?) da forçação da linguagem estereotipada. Expressões como "querida presidenta" e "num ato de humildade e complacência" evidenciam uma adoração exacerbada que não seria vista (ou será que sim?) em um texto sério. Outros trechos deixam escapar, ainda que de leve, o tom irônico, como em "uma grotesca montagem indicando que na verdade nossa presidenta estava comendo um pombo cru!". Se o pombo estivesse assado não teria problema?

Em cima desse fato, as páginas "anti-petralhas" citadas anteriormente ridicularizaram a ação "esquerdista" da página em provar uma coisa tão óbvia. Nesse momento vemos a paródia virar pastiche. Não perceberam que essa era uma página-paródia, e por quê? Por que imitava fielmente o estilo do parodiado? Ou por que imitava fielmente o modo como essa pessoa enxerga o estilo do parodiado?

Isso acaba criando ambientes em que pessoas debatem vorazes contra simulações de seus adversários. Um cenário autístico no qual a desinformação sofre um processo de retroalimentação até o ponto onde a simulação começa a dominar. 

Para que um texto não caia na confusão que virou as sátiras espalhadas pela internet, é necessário que este tenha um ponto claro de identificação de que seja uma ironia. Por exemplo: se eu digo "Eu apoio o movimento LGBT.", essa é uma afirmação que não dá para perceber um possível tom irônico, mas se eu digo "Eu apoio o movimento LGBTXPOW27." a pessoa identifica de cara que se trata de uma ironia já pelo deboche da sigla.

Pesquisas:
O caso:
O efeito metalinguístico na informação:
A perca da noção da sátira:

terça-feira, 5 de agosto de 2014

O significado da inversão dos polos

A inversão dos polos é um dos acontecimentos mais esperados pelo movimento New Age. É importante entender que o movimento Nova Era é uma transposição temporal do gnosticismo da antiguidade tardia, tal como é também a mentalidade revolucionária e as suas religiões políticas. Enquanto o primeiro é responsável pela harmonia das cabeças do sistema (as religiões e seus respectivos "reis"), o segundo ficará a cargo de dar poder ao corpo executivo mundial (os chifres).

É importante se atentar ao significado da aclamação new age da inversão dos polos magnéticos da terra para compreender, de ambas as vertentes do neo-gnosticismo mencionadas acima, duas características fundamentais: o determinismo e o relativismo moral.

O determinismo

A inversão dos polos magnéticos da terra assume uma posição determinista, pois até mesmo a vontade humana estárá submetida às leis da transição planetária, de tal forma que o comportamento humano estará totalmente modelado pelo acontecimento cósmico. Ou seja,  segunto tais ideias, deveríamos entender que é um acontecimento inevitável o fim da atual civilização, para que assim possamos abraçar o futuro glorioso da revelação divina de uma Nova Ordem Mundial.

O relativismo moral

Como seria este um período de transição, nenhum comportamento seria moralmente inaceitável. Por um lado, para o ser, teria de estar sob visão da "civilização arcaica", a qual deve ser superada; por outro lado, não o poderia ser pela "nova civilização", já que essa ainda não estaria plenamente fundamentada. 


Fontes:
A inversão geomagnética (Wikipédia)

As religiões New Age negam a lógica

sábado, 5 de julho de 2014

Pastores se manifestam favoravelmente à ditadura petista


Numa campanha de pressão sobre os deputados e senadores, cada um deles recebeu, nesta primeira semana de julho de 2014, um email contendo manifesto assinado por diversos pastores e líderes evangélicos conhecidos. O manifesto, que tem a intenção de representar a vontade da maioria dos evangélicos do Brasil, dá apoio total ao Decreto 8.243/2014, assinado pela presidente Dilma Rousseff e que foi classificado pelo colunista da revista Veja Reinaldo Azevedo como um golpe que extingue a democracia no Brasil.
Daqui 
Quem encabeça a lista é o pastor ― simpatizante de Hugo Chávez ―  Ariovaldo Ramos, uma das principais figuras da Teologia da Missão Integral. Apesar da maioria das criticas feitas à TMI serem quanto a uma tendência socialista da mesma, essa percepção é superficial e produto da guerra dialética rumo a implantação da ordem mundial do cristo cósmico Baha'u'llah.

A TMI não defende abertamente a implantação de uma ordem socialista ou comunista,  apesar do texto em epígrafe do blogueiro Júlio Severo. Entretanto, vejamos como o seu discurso se aproxima de uma visão favorável ao modelo bahaísta:
A ênfase da reflexão da TMI, sobre a prática da Igreja, voltada para o cotidiano, parte da proposição do Prof Padilla (...) A proposição de Padilla se sustenta na declaração do Senhor Jesus, de que o Evangelho é do Reino (Mt 24.14; Lc 4.43), portanto, tendo como conteúdo as boas notícias da chegada de uma nova ordem mundial (Dn 2.44), manifesta pela Igreja, porém, só implantada na volta visível e triunfal do Cristo. Ariovaldo Ramos, Blog
Segundo Ariovaldo, essa "nova ordem mundial" não é nem capitalista, nem comunista, mas é um resultado de uma intervenção transcendental de Deus, justificada pela passagem de Daniel em que uma pedra é jogada sem o auxílio de mãos à Estátua do sonho de Nabucodonosor: se opõe ao sistema vigente, que se opõe ao sistema capitalista e ao sistema soviético. É um outro sistema que vem não para estar ao lado dos sistemas em pauta, mas para substituí-los, para erradicá-los, escreveu Ariovaldo.

Uma nova realidade para a humanidade revelada progressivamente findada com a ação sobrenatural de justificação divina. Isso resume as visões da fé baha'i e da Teologia da Missão Integral para o plano do reino de deus terreno.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

O perigo da "iminência"


É muito comum ao se abordar a escatologia o interlocutor assumir uma postura favorável quanto a uma "iminência". Essa é a mesma postura que encontramos na mentalidade revolucionária, a qual está se encarregando de moldar a opinião pública para que esta dê legitimidade à ação do corpo executivo mundial. E essa postura escatológica fatidicamente adota uma visão milenarista do Reino de Deus, pois essa "iminência" é em relação a uma nova etapa da humanidade, à chegada de uma era que substitua por completo a atual.

Por se adotar uma visão de iminência cai-se em outros dois aspectos: (1) o determinista e o (2) imanentista.

(1) Quando se assume uma ideia determinista de que o "Reino de Deus" está por vir, qualquer coisa que se esteja por vir assumirá o papel desse tal reino.

(2) Como é determinista, a ideia pela qual afirma que "o futuro a Deus pertence" é perdida, fazendo com que a noção de futuro se ache estreitamente dentro de uma esfera imanente ao homem.


Muita gente incube a si próprio a responsabilidade da vinda de Cristo e do seu "reino na terra", a isso chamamos de tentar imanentizar o eschaton, tal como acontece nas religiões políticas que tentam fazer da terra um paraíso de justiça, segundo a sua visão do que seja isto.

Aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça. 2 Pedro 3:12-13

quarta-feira, 11 de junho de 2014

A importância do pensamento na Nova Ordem Mundial

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, criou no seu governo a Secretaria de Coordenação Estratégica para o Pensamento Nacional. Segundo a descrição publicada no diário oficial do país, entre os objetivos do novo órgão, vinculado ao Ministério da Cultura, está “assessorar e elevar as propostas a serem consideradas pela ministra da Cultura em questões de pensamento nacional e latino-americano”. E ainda: "projetar e coordenar o pensamento nacional, ajustado com as diretrizes que a secretaria definir", interagir "com as diferentes usinas de pensamento existentes no país, com o objetivo de promover e lhes dar um marco maior de institucionalidade" e estimular "a percepção do ser nacional".[1]
É impossível em uma hora dessas não lembrar do célebre Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, escrito por George Orwell, e da sua descrição de uma policia do pensamento dentro de um governo autoritário. Ainda que, de uma forma ou de outra, a policia do pensamento já está presente [2] entre nós há algum tempo, a sua formalização institucional nos faz refletir a importância do pensamento do cidadão comum dentro da Nova Ordem Mundial. 

Foi no século XIX que tivemos o advento da fé baha'i e do planejamento da Ordem Mundial de Baha'u'lláh, mas também foi o mesmo período em que muitas outras correntes espiritualistas estavam a surgir, dentre as quais a sociedade teosófica desempenhou notável importância, tanto na expansão no início do século passado dos princípios de uma futura sociedade divina, chegando a ceder espaço no Centro Teosófico às palestra de 'Abdu'l-bahá, como agregando conceitos a sua estrutura e ajudando a formar a identidade das elites.

É dentro da Teosofia que encontramos o conceito de “formas-pensamento”, segundo a qual afirma que o homem é dotado de outros corpos além do físico (o mental e o emocional, por exemplo) que formam um combinação sutil no plano astral. Vejamos essas diversas passagens do livro “Formas de Pensamento” escrito por Annie Besant e C.W. Leadbeater em 1901:
"Cada pensamento produz uma forma. Quando visa outra pessoa, viaja em direção a essa. Se é um pensamento pessoal, permanece na vizinhança do pensador. Se não pertence nem a uma, nem a outra categoria, anda errante por um certo tempo e pouco a pouco se descarrega, se desfazendo no éter. (...) Cada um de nós deixa atrás de si, por toda parte onde caminha, uma série de formas-pensamentos. Nas ruas flutuam quantidades inumeráveis. Caminhamos no meio deles. (...) Quando o homem momentaneamente faz o vácuo em sua mente, os pensamentos que lhe não pertencem o assaltam; em geral, porém, o impressionam fracamente. Algumas vezes, todavia, um pensamento surge e atrai a sua atenção de um modo particular. O homem comum se apodera dele e o considera como coisa própria, fortifica-o pela ação de sua própria força, e, por fim, o expele em estado de ir afetar outra pessoa. (...) O homem não é responsável pelo pensamento que lhe atravessa mente, porquanto pode não lhe pertencer. Porém, torna-se responsável quando se apodera de um pensamento e o fixa em si e depois o reenvia fortalecido." (BESANT, Annie e LEADBEATER, C.W,. Formas de Pensamento. Editora Pensamento, 1995).
É muito importante para o estabelecimento da NOM o pensamento do cidadão global fluir segundo o espírito insuflado do cristo cósmico. Em outras palavras, o cidadão global precisa está apto ― como vários já estão ― a receber como daimons [3] os  muitos demônios que saírem do abismo. As diferentes maneiras de se esvaziar a mente, desde as práticas em templos esotéricos incluindo alguns com placas evangélicas à liberação desenfreada do consumo de drogas, além das técnicas MK Ultra da cultura pop babilônica, serão importantes para que pensamentos que não lhe pertencem entrem na mente do cidadão global fazendo com este mais tarde se apodere dele e o considere como coisa própria.
Este é o segredo da propaganda: saturar totalmente a mente da pessoa a quem a propaganda quer tomar posse, com as idéias da propaganda, sem que ele perceba que está sendo saturado. Paul Watzlawick
Uma das maneiras mais sutis, mas talvez a mais eficiente, é a constante propaganda da Nova Ordem Mundial. Na medida em que conceitos são lançados, o comum cidadão vai adquirindo-os sem que disso se perceba. Para ilustrar o que escrevi até aqui, temos o filme Branded (2012),  o qual explora o conceito teosófico de formas-pensamentos atrelado à saturação da propaganda da indústria do marketing. O filme aborda a propaganda para além de sua composição retórica, mostrando uma guerra entre criaturas invisíveis pela decisão pessoal do indivíduo ― o palhaço, bem sugestivo, que faz a criança importunar a mãe por um sanduíche é só um exemplo.

Vemos que a crítica do filme não se retém ao marketing de uma sociedade de consumo na afirmação do personagem principal, Misha (Ed Stoppard), de que a propaganda teve o seu início com Lênin. O filósofo político Ernesto Laclau defendia abertamente a tese de que a propaganda revolucionária cria livremente a classe da qual em seguida se denominará representante. Foi exatamente isso que aconteceu no enredo do filme Branded, a companhia de marketing criou uma classe de pessoas acima do peso para, em seguida, se tornar representante dos mesmos com suas redes fast-foods.
E sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha. Apocalipse 20:8
Adentrando à nossa realidade, a Nova Ordem Mundial está a fazer roupas sob medida às pessoas que deseja representar. E, em uma sociedade de justificação divina, nada seria mais normal que mediadores entre os deuses e os homens, os chamados daimons,  ajudem este último a reconhecer a "luz da revelação divina" da Ordem Mundial de Baha'u'llah. Acaso não seria, em um futuro bem presente, o próprio homem o portal aberto do poço do abismo? Quando a economia divina estiver em prática através da estrela de nove pontas a "festa" estará bombando!

Notas:
[1] - Cristina Kirchner cria Secretaria do Pensamento
http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/cristina-kirchner-cria-secretaria-do-pensamento
[2] - As mídias e a polícia do pensamento
http://apocalipsetotal.wordpress.com/2013/01/24/as-midias-sociais-e-a-policia-do-pensamento/
[3] Seriam intermediários entre os deuses e os homens. Os daimons têm uma equivalência no islamismo: os chamados "jinns" ou em português "gênios". Eles são encontrados no Surata 72 do Alcorão, Al-Jinn (Os Gênios), citado por Baha'u'llah no Súriy-i-Ayyú.
Outras Fontes:
O Marketing paranormal no filme "Branded"
http://cinegnose.blogspot.com.br/2013/03/o-marketing-paranormal-no-filme-branded.html?spref=fb
Sobre Formas-Pensamento
http://metafisicando.blogspot.com.br/2012/11/sobre-formas-pensamento.html

segunda-feira, 10 de março de 2014

A imanentização em torno da Causa da unidade da humanidade

Como expliquei em um outro momento, a tendência do homem pós-moderno é rejeitar a transcendentalidade de Deus e o acomodar dentro de uma esfera imanente. Sendo assim, como ficam então as religiões de cunho transcendente? Ao meu ver, tendem a desaparecer ou se tornar cada vez mais imanentes.

A transcendência divina na Fé Baha'i

A Fé Baha'i admite a noção de um Deus transcendente.  A transcendentalidade de Deus é um dos elos que a Fé Baha'i afirma existir entre todas as grandes religiões mundiais, o qual seria o fator para reconhecer que todos os manifestantes vieram da parte deste ser soberano, que seria o mesmo em todos os casos. Todos os profetas das grande religiões mundiais estariam interligados por uma Causa divina, o que faz de cada um deles contribuidores dessa, cuja plenitude estaria sendo alcançada em nossos dias com o advento de Baha'u'llah.

Se a fé Baha'i admite a ideia de um Deus transcendental, que é objeto de rejeição da pós modernidade, como explicar o avanço da nossa civilização (ou o que sobrou dela) rumo à Ordem Mundial de Baha'u'llah? Acontece que a imanentização na fé baha'i é encontrada na sua Causa. A única relação de Deus para a humanidade estaria pautada em cima dessa Causa, os profetas se manifestaram para cumprir a Causa etc. E o que é a Causa? Já conhecemos: a unidade da humanidade, o fim de todas as formas de preconceito, erradicação da extrema pobreza, entre outras benevolências rumo a uma espécie de paraíso na Terra.
Quem me segue deve, sob todas as circunstâncias, se empenhar em promover o bem-estar de quem quer que se levante para o triunfo de Minha Causa, dando-lhe em todos os tempos, provas de sua devoção e fidelidade. De A Proclamação de Baha'u'llah aos Reis e Líderes da Terra.
É por isso que a comunidade Baha'i apoia toda a iniciativa que prometa levar ao cumprimento de algum de seus princípios. Por meio disso se torna imanente, pois é próprio da humanidade, é um dever dessa. Nesse sentido, é mais realista que algumas comunidades cristãs milenaristas que esperam pelo sobrenatural para o estabelecimento do milênio, tal acontecimento que ao meu ver,  assim como o surgimento do executivo mundial, é uma consequência e não o fator principal.

Paremos para pensar. Hoje ninguém mais quer reservar um tempo, mínimo que seja, para escutar alguém falar sobre Deus, ante isso preferem "atitudes" (eu não culpo ninguém por isso, senão a própria religião, em sentido estreito, a própria igreja). E essas atitudes ainda estão seletivas, não basta qualquer coisa. Por exemplo, uma casa de recuperação para dependentes químicos administrada por evangélicos ou católicos não entra na lista de "atitudes que visam o progresso". Uma "atitude progressista" em cima disso seria a não acusação de "drogado" sobre um usuário de maconha, inauguralmente, ou mesmo de drogas mais pesadas, posteriormente.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A ferida está sendo curada

Existem geralmente duas maneiras comuns[1] dos cristãos se agarrem à ideia de que "o fim está próximo" e consequentemente o retorno de Cristo. A mais comum é também a que mais se aproxima do pensamento das religiões arcaicas[2], que é ver sinais na natureza que indiquem o retorno do messias. Isso gera um tumulto desnecessário dentro da área escatológica toda a vez que um terremoto, tsunami ou coisa semelhante acontece pelo mundo. Outra forma mais correta de encontrar "sinais" de que "Cristo está voltando" estaria na análise não na natureza, mas no homem. Digo mais correta devido a bíblia fundamentar muito mais esse ponto de vista do que o primeiro.

Acontece que esta última carrega consigo uma possibilidade de erro tanto quanto a primeira e pode causar tumulto desnecessário em relação a "alertas para últimos dias" e coisa do tipo. Por exemplo, afirmar que o casamento gay é um indicativo para a volta de Jesus é de um tanto absurdo. Até porque sabemos que o pior ainda não chegou, quando se manifestarem massivamente os ativistas da pederastia e pedofilia aí a coisa começa a ficar feia...


Onde eu quero chegar... Nessa postagem (clique aqui) eu esclareci o meu ponto de vista a respeito da ferida que a besta recebeu de espada, a qual coloquei como sendo o evangelho de Cristo e o estabelecimento do seu reino, da crucificação à parúsia. Nesse contexto, a cura da ferida seria a eliminação da verdade do evangelho no mundo contemporâneo, culminando na manifestação do cristo cósmico como a resposta para o tempo apostata que se figurou a partir dessa negação.
Em entrevista à psicóloga Valerie Tarico, Winel disse que os sintomas do STR inclui, além da ansiedade, depressão, dificuldades cognitivas e degradação do relacionamento social. “Os ensinamentos e práticas religiosas, por vezes, causam danos graves na saúde mental.” 
“No cristianismo fundamentalista, o indivíduo é considerado depravado e tem necessidade de salvação”, afirmou. “A mensagem central é ‘você é mau e merece morrer, porque o salário do pecado é a morte. [...] Já tive pacientes que, quando eram crianças, se sentiam perturbados diante da imagem sanguinolenta de Jesus pagando pelos pecados deles.”
(Daqui)
O objetivo dos discursos anti-cristãos, como exemplo, o das minorias, quando estas veem a igreja como aquilo que bloqueia a aquisição de seus direitos, não se dão com o intuito de suavizar as posições desta em relação aos mesmos. São na verdade partes de um processo muito maior que é o de "abolir todas as verdades absolutas". A religião, em sentido estreito 'o Cristianismo', como porta-voz de uma verdade que se mostra enraizada no absoluto deve então ser minada de todas as maneiras que se mostrarem possíveis. No texto acima o cristianismo não se torna mais cristianismo se não estiver sendo seguido por um "fundamentalista" omo adjetivo.

Nesse post (clique aqui para ir até ele) em que tratei do que chamam de fundamentalismo cristão, o fiz por estarem colocando o cristianismo como fundamentalista na medida em que esse se mostrava contrário ao homossexualismo. Mesmo ai, vemos uma acusação "com causa", ou seja, se uma igreja não se mostrasse oposta ao movimento LGBT, essa logo não seria "fundamentalista". Mas no texto que apresentei acima, quando o cristianismo se torna fundamentalista pelo fato da mensagem central ser o homem precisando de Cristo para alcançar a salvação, não sobra uma igreja sequer que não seja fundamentalista, pois se há uma igreja, por mais apostata em alguns sentidos que essa seja, que não acredite que Cristo seja a única salvação para o homem pecador, essa não é de fato uma igreja cristã.

A condenação do homem a partir do pecado, seja ele qual for, é proveniente da lei. Vejamos como exemplo a imagem deste outdoor ao lado, que é motivo para acusação de homofobia. A exortação em evidência é a passagem de Levítico, que compõe o cânon referente às leis dadas por intermédio de Moisés. A condenação só há para quem está sob o julgo da lei. A única maneira de sair desse julgo é mediante a graça de Cristo, mas para isso é necessário que o homem reconheça o estado de pecador (pela lei vem o conhecimento do pecado. Rm 3:20), para que esse possa vir a ser justificado pela graça. Essa é a lógica da salvação, é simples. Mas quando a "imagem sanguinolenta de Jesus pagando pelos pecados" se torna então o motivo para condenar o cristianismo ao hall das religiões do mal, já não há nada o que fazer.
E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Mateus 24:14
Em suma, o que se está colocando em cheque (fundamentalismo) não é o evangelho das aparências, da acusação e que tende à lei mosaica. Mas o que se está a fazer é por descrédito total da graça de Cristo através de seu sacrifício na cruz. Quando isso acontece perde-se a possibilidade da pessoa alcançar o reino pela fé no evangelho, mesmo esse evangelho já tendo sido pregado.

Notas
[1] Que só foi possível após a introdução do pensamento iluminista na cultura ocidental. Ver: A imanentização escatológica e o iluminismo.
[2] Profecias como as luas de sangue nos remetem aos tempos que os antigos viam manifestações naturais como intervenção direta das divindades. Ver: Sinais para o que?

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O deus do anticristo (3)

Na primeira parte (VER), o deus do anticristo é exposto tendo como ponto de partida as religiões arcaicas e seus fragmentos na contemporaneidade. A segunda parte (VER), por sua vez, tem como intuito apresentar o deus do anticristo em uma conotação mais científica, da percepção pré-socrática do divino na natureza à exploração científica na parte obscura do universo. Nessa terceira parte iremos nos aprofundar mais e nos apoiar nas teorias psicanalistas freudianas a respeito da origem da religiosidade. Antes de tudo é importante ressaltar que com "anticristo" não estou me referindo a um grande líder mundial do fim dos tempos como é costume atribuírem, mas trata-se da sociedade em geral que mais tarde elegerá um executivo mundial, mas este apenas como um reflexo e consequência e não como o fator principal.

Freud, ao buscar entender a fonte da religiosidade, em seu ensaio O Mal Estar na Civilização, fez uso da expressão "sentimento oceânico".* Tal expressão refere-se a uma sensação de eternidade, de algo oceânico, ou seja, sem fim, à vista dos homens. Para Freud, quando buscamos este sentimento oceânico, estamos retornando a uma época que tínhamos uma sensação de comunhão plena com o mundo. Essa é a primeira fase da vida, quando o bebê sai do ventre da mãe. Quando o feto ainda está no ventre materno ele não tem a consciência de ser, o que não muda muito nas primeira semanas após o parto. Nesta fase, o bebê não sabe diferenciar o que é ele e o que é o mundo externo. Somente com o passar do tempo a criança vai aprender a fazer a distinção do que é o seu ego (Eu) para o que é o mundo exterior.

Baha'u'llah em seu livro Os Sete Vales afirma que o peregrino em busca do Bem Amado deve se ver livre do ego. 
...as etapas que marcam a jornada do peregrino desde a morada de pó até a pátria celestial são consideradas sete. Alguns as têm denominado Sete Vales e outros, Sete Cidades. E dizem que, enquanto o peregrino não se livrar do ego e não percorrer essas etapas, jamais alcançará o oceano da proximidade e união, nem sorverá do vinho incomparável. Os sete Vales, Baha'u'llah

Com "se livrar do ego" para alcançar "o oceano da união" Baha'u'llah, em 1862, estava confirmando previamente aquilo que Sigmund Freud iria formalizar 68 anos mais tarde, em 1930. A unidade na diversidade é o Absoluto que todos devem partilhar, sendo necessário antes acabar com o egoísmo de cada pessoa, de cada sociedade e da civilização rumo a uma Nova Ordem Mundial. A fonte da religiosidade na pós-modernidade está na imanentização da Causa em torno de uma utopia quiliasta.


Para ilustrar essa questão usarei a canção "Ao Longe o Mar" do grupo português Madredeus (clique aqui).
Porto calmo de abrigo/De um futuro maior
Inda não está perdido/No presente temor
Não faz muito sentido/Já não esperar o melhor
Vem da névoa saindo/A promessa anterior
Quando avistei/Ao longe o mar
Ali fiquei/Parada a olhar
Sim, eu canto a vontade/Canto o teu despertar
E abraçando a saudade/Canto o tempo a passar

Nos versos da canção percebemos alguns elementos que envolvem a humanidade e a aceitação de seu cristo cósmico: a sensação de um presente temoroso (período de nascimento de uma era gloriosa próxima); a esperança de um futuro melhor como promessa (de mártires religiosos ou políticos) e o clamor pelo despertar do cristo cósmico, a mentalidade universal e unitária.

A ação de parar e observar o mar é uma ilustração do sentimento oceânico e da sensação de infinitude. Ao olhar a dimensão do mar ou até mesmo do céu nos sentimos pequenos e diminuídos. Nessa insignificância do ego (Eu) a comunhão plena com o Todo pode ser restabelecida. A besta emerge do mar, vem do profundo, sai do abismo, do desconhecido e infinito.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Para compreender o falso arrebatamento, a manifestação do cristo cósmico



Muitas pessoas "torcem o nariz" quando dão de cara com a ideia de um falso arrebatamento da igreja. E tudo isso por quê? Por esse ser talvez o episódio mais esperado por eles (em vida) e, portanto, não conseguem conviver com a ideia de que isso possa ser uma farsa. Quer dizer que o "arrebatamento" não irá acontecer? Se existe um "falso" é porque certamente há um que seja verdadeiro. Mas com certeza não nos mesmos moldes. Vamos dissecar este vídeo acima que eu mesmo fiz há um ano, para entendermos melhor.

O céu na terra

Primeiramente, devemos entender que ninguém há de desaparecer. O falso arrebatamento não vai simular a ida da igreja ao céu, essa experiência promete, na verdade, trazer o céu à terra. Vejamos que esse é um pedido cada vez mais constantes em "orações" e "louvores" do mundo pentecostal. Baha'u'llah, cujo significado do nome é "A Glória de Deus", utiliza as passagens em que Jesus se refere ao Espírito Santo, na Bíblia, para justificar que ele é aquele a quem Cristo se referia. O que o movimento gospel/pentecostal vem fazendo é confirmar isso através da imanentização do divino em torno do elemento "glória".


Espírito desça agora/Eu me aproximo de Tua glória
Tua glória venha o céu na terra, céu na terra
(trechos da canção Anseio, Diante do Trono)

O [neo]pentecostalismo é um dos responsáveis por tornar o Cristianismo cada vez mais em uma religião imanente, na qual o deus deve estar tão próximo ao homem que este deva "senti-lo" a todo o momento.

A Bíblia nos ensina a buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça (Ver: A verdadeira justiça dos santos). Para o mundo pentecostal, o Reino de Deus pode ser visto em espasmos, rodopios, glossolalia, gritarias, desmaios, entre outras coisas que para tais nada mais é do que a certificação da presença de Deus e do mover do espírito santo (Ver: Nomes de blasfêmias). Arrebatamento nesse caso nada mais é do que um estado de êxtase. Nesse sentido arrebatamentos acontecem todos os dias em igrejas que prometem experiências como as citadas acima, e as atribuem ao espírito santo.

Os mil anos

Outra coisa que deve ser levada em conta é que Satanás (A serpente) está sendo solto agora, no fim dos mil anos (período que simboliza o Reino de Deus, da ressurreição de Cristo à morte dos santos). Há um grave erro em acreditar que Satanás ainda será preso. Assim, se hoje já conhecemos o jargão "onde há o espírito, ali há liberdade" para "justificar biblicamente" todas as sandices de um culto carismático, tirando da cabeça do crente qualquer possibilidade de aquilo ali ser assemelhado a um culto umbandista, por exemplo, quem dirá quando tais acreditarem que Satanás foi preso... imagine o que será considerado "de Deus"!

O derramar do espírito sobre toda a carne é provavelmente a mais perigosa de todas as doutrinas pentecostalistas. Nessa, todos os que se encontram sobre a Terra seriam revestidos com o poder do espírito ante o início do "milênio" (Ver: O fogo consumidor)

As forças opostas Bahá'u'lláh x Shechinah

Não é necessário consultar o mistico para se compreender a ideia de êxtase por meio de duas forças opostas e complementares. Na análise de Nietzsche em A Origem da Tragédia, ele coloca a música como a criadora fundamental das forças antagônicas Apolo e Dionísio, e estaria relacionada ao gozo feminino além do fálico na psicanálise lacaniana.

A música, ou mais precisamente "o louvor", é a ferramenta mais eficaz da hipnose do mundo gospel. "O céu se une a terra como um beijo apaixonado" poderia ser levado em conta apenas como uma representação poética, se não fosse uma música gospel "dedicada a Deus".

Na Cabala esotérica, Shechinah é a essência do Ain Soph que, emanado, ficou preso ou enroscado em Malkuth, sendo correspondente à Deusa Kundalini Shakti na tradição esotérica oriental da Yoga. Segundo o livro cabalístico Zohar, a evolução do homem é o processo em que o pólo feminino do Divino (Shechinah), presente potencialmente na criação e no homem (Malkuth), se une ao pólo masculino da Divindade, Kether. Tal reunião é na tradição rosacruz representada pelas Núpcias Alquímicas de Christian Rosenkreutz, e na Bíblia está no livro O Cântico dos Cânticos de Salomão. Segundo a tradição da Cabala, a reunião dos dois pólos da Divindade resulta em uma Consciência Cósmica ou crística, de união do homem e do Divino, resultando no Homem-Deus (Deus imanente).
Leia mais: http://www.libertar.in/p/shekinah.html#ixzz2tQLAH1Lq

Shechinah corresponde à Sophia no gnosticismo, aquela que traz a iluminação, fogo. A mesma serpente do Éden que "vem abrir os olhos" (Gn 3:5). Shechinah vem trazer um elemento divino para libertar os homens da ignorância, a mesma ideia repassada pelo conto grego do titã Prometeu, que trouxe o fogo (até então privado aos deuses). Nas tradições esotéricas, esse fogo é reconhecido como o sexo - a nona esfera da vida. 

A Imanentização da escatologia através da iminência

Enquanto vemos pastores pregarem taxativamente contra a prostituição carnal, os mesmos estão servindo de cafetões para a prostituição espiritual de seus fiéis. As pessoas estão indo aos templos buscando o orgasmo cósmico, e tudo isso é por falta de fé. A expectativa do iminente (pode ser a qualquer momento) leva o cristão a buscar experiências intensas aproximadas, antes do tempo determinado. Esse é um grande problema do homem atual como um todo, e também a igreja que eclodiu nesse período: a imanentização escatológica. 


E o grande dia haverá de chegar

Quando eu e você, eu e você
Nos encontraremos com Ele
Naquele dia eu e você, eu e você
Cantaremos em uma só voz a Ele, a Ele, a Ele

(trecho da canção Vai Valer a Pena, Livres para Adorar)

Do "naquele dia" para "este dia" há um ou dois passos. Esse é um processo por qual todas as religiões tendem a passar, a imanentização em torno da ultima etapa da humanidade. De aquele para este, de ele para eu.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A REAL Plenitude dos Tempos segundo a Fé em Jesus Cristo

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. Gálatas 4:4-5
Como digo sempre: Aquele que espera pela implementação do Reino de Deus na Terra está muito atrasado. Cristo não virá uma segunda vez para fazer isso, porque ele já fez em sua primeira vinda. 

Você espera um tempo em que todas as pessoas sejam perfeitas e sem pecados? Pois esse tempo já existe desde que Cristo pagou o preço na cruz e nos libertou da lei do pecado e da morte. 

Você espera por um tempo em que as pessoas não mais morram e haja paz na terra? Esse tempo já existe desde que Cristo deixou sua paz conosco e nos deu a vida eterna por meio da Fé no Evangelho. Essa é a primeira ressurreição.

Você não crê que Cristo já fez tudo isso apenas por não ver com seus próprios olhos? Bendito são aqueles que não viram e creram, pois apenas não se manifestou aquilo que haveremos de ser.

Estamos adentrando o tempo de apostasia mencionado pelo Apóstolo Paulo em Segunda Tessalonicenses, no segundo capítulo, que é o cenário em que despontaria o filho da perdição. Este o qual a todos levantará com o anzol e os ajuntará em sua rede varredoura. Se me perguntarem qual a isca que seduzirá a todos, de crentes a incrédulos: a consumação da suprema paz, a era dourada e tantos outros termos adjetivos. De crenças religiosas com mais de 5.000 anos a religiões políticas ateístas do mundo pós-moderno, a promessa de levar seus adeptos àquilo que seria a Plenitude dos Tempos ou a Era Maravilhosa é o que une todos esses.

Essa "promessa" acaba exercendo a mesma influência que a Lei outrora realizava, ou seja, anula a Libertação trazida por Cristo (que é a nossa plenitude dos tempos, o ano aceitável do Senhor) sobre a vida da pessoa subjugada a essa utopia. "Cristo não conseguiu implantar" ou "Cristo implantou em partes" são máximas sempre presentes nas doutrinas daqueles que defendem o "Venha teu Reino na Terra como no Céu".




Entre todas essas doutrinas há um ponto de encontro, que ao meu ver é condensado na pessoa de Baha'u'llah. Une a Imanentização Escatológica das religiões políticas à Utopia Quiliástica das religiões milenaristas.
A Fé trazida por Bahá’u’lláh deve, em verdade ser considerada como a culminação de um ciclo, a etapa final em uma série de revelações sucessivas – preliminares e progressivas. Estas têm preparado o caminho, em antecipação – com sempre crescente ênfase – do advento daquele Dia dos Dias no qual Ele, a Promessa de Todas as Eras, haveria de se tornar manifesto. ...Desafia nossa imaginação a magnitude das potencialidades das quais foi dotada essa Fé, a qual não tem nem par nem semelhança na história espiritual do mundo, e que assinala a culminação de um ciclo profético universal. A fulgência da glória milenária que ela haverá de irradiar, na plenitude dos tempos, nos deslumbra os olhos. Shoghi Effendi - Chamado às Nações

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A mente revolucionária e o advento do prometido (2)

Na primeira parte apresentei alguns expoentes da mentalidade revolucionária que surgiram a partir do século XIX (século do advento de Baha'u'llah). Mas não seria justo parar por ai, pois todos os apresentados eram ateus e seguiam a linha metodológica materialista, com exceção (em parte) do teólogo da libertação Oscar Romero, e como escrevi aqui, a Fé Baha'i acredita que o problema do mundo (pelo menos os de base econômica) se dão devido "a visão materialista do mundo". A análise histórica feita por Baha'u'llah é de cunho espiritualista, oposta à materialista. Em sua análise ele afirma que a história da humanidade é moldada a partir da revelação de alguns manifestantes providos da parte de Deus.

Apesar dos personagens símbolos do movimento revolucionário adotarem uma visão cética a respeito da religião e também da figura de Deus, devemos entender que a rejeição é, na verdade, quanto a transcendentalidade destes. O neo ateu de hoje nega o Deus cristão porque esse "é um Deus que não faz nada para melhorar o mundo" e afirma que "Deus não ajuda o homem, o homem ajuda o homem". Ou seja, o que está sendo negada é a transcendência da divindade, colocando-a no âmbito da imanência. O Deus na mentalidade revolucionária é tão imanente que não o percebem.
Tão vasto é o seu alcance que abarcou todos os homens antes que disso eles se apercebessem. Dentro em breve, manifestar-se-ão sobre a face da terra e a sua força soberana, a sua influência penetrante e a grandeza do seu poder. Kitab-i-aqdas
O que desperta o revolucionário à ação? Todo revolucionário acredita que o motivo de sua luta um dia será concretizado, muito embora não esteja claro em sua mente o que é essa finalização da sua causa. Eis o elo de ligação entre a mente revolucionária e a Ordem Mundial de Baha'u'llah.

Para observar a mística que envolve o processo do despertar interno do ser revolucionário (algo parecido com auto-ajuda) lembremo-nos do Manifesto Wayseer.
O Caminho é uma força inteligente que pode guiar os nossos pensamentos e as nossas ações para a criação de um mundo melhor, com mais amor, verdade, beleza e graça. Página oficial do manifesto 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A mente revolucionária e o advento do prometido

"Acreditando que 'a paz mundial não é apenas possível, mas inevitável', os Bahá’ís encaram o futuro da humanidade de forma pragmática, envolvendo-se em projetos que permitem criar uma nova civilização mundial, baseada em princípios de justiça, prosperidade e progresso contínuo." (Página oficial dos Bahá'is de Portugal)
Humanismo, marxismo, niilismo, existencialismo, neo-ateísmo, positivismo, progressismo... Se a Fé Baha'i afirma que o surgimento de todos esses movimentos se deu pelo reboliço do advento de Baha'u'llah, o que devo pensar? A luz refletida por Baha'u'llah é o que acende a mente revolucionária?

cima (da esquerda para a direita): Che, Sartre, Gramsci, Romero, Nietzsche
baixo (da esquerda para a direita): Engels, Stalin, Lenin, Marx
Expoentes da mente revolucionária na política, literatura, sociologia e religião 

A "plenitude dos tempos"[1] é o conceito que move a mente revolucionária, a ideia de que a salvação da humanidade é imanente à própria humanidade, a ideia de que o progresso é inevitável e que "o rolo compressor da história há de nos testificar disso". Essa mentalidade é como a morte e não se farta, como achar que tais personalidades apresentadas acima por exemplo representam o fim de uma era [2], quando seus ideais persistem e avançam descomunalmente?

(Ver continuação)

Notas:
[1] Veja o que é a plenitude dos tempo para um cristão sincero, clique aqui
[2] J. E. Esslemont : Bahá'u'lláh e a Nova Era; "O Mundo em Transformação"