sábado, 15 de novembro de 2014

Construir o "reino de Deus na terra" é falta de fé

Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra? Lucas 18:8
Uma característica da sociedade nesses últimos dias tem sido a falta de fé. Esse é um sintoma da mentalidade revolucionária, que é o retorno do pensamento gnóstico da antiguidade tardia. Tal como foi oposição à Igreja primitiva o gnosticismo da época, hoje nos é oposição o neo-gnosticismo das religiões politicas.

O gnosticismo vê a fé como "sintonia com o divino". É como se Deus se estabelecesse por certa frequência, e só os que estariam sintonizados possuiriam a verdadeira fé. Desse modo, só possuem fé hoje aqueles que estão em consonância com o espírito do tempo, mas precisamente com o espírito insuflado do cristo cósmico Baha'u'llah.

O começo da ansiedade é o fim da fé. Dentro das devidas proporções, pode-se ter por ansiedade a tentativa de imanentizar o eschaton dos movimentos que tentam trazer o céu para a terra. A ansiedade do homem vence a fé e faz com que este tente, por seus próprios meios, alcançar o paraíso ao qual lhe foi prometido.

Não há, para nós, nenhuma obrigação imputada de construir "o Reino de Deus na terra". Isso não pode ser justificado, mesmo que alguns insistam, como "preparar o caminho do Senhor". Preparar o caminho é apenas assegurar que haja um número de almas abertas à voz da palavra. Enquanto isso, esforçar-se para impedir que a sociedade se torne um abismo no qual todas as almas se perdem.

sábado, 25 de outubro de 2014

A economia não-materialista materialista da Ordem Mundial de Baha'u'llah (2)

Parte I

Ainda na busca para tentar encontrar traços daquilo que possa vir a ser uma economia divina, humanitária e não materialista para a Nova Ordem Mundial, nos deparamos com algo que está muito próximo a todos nós: ajudas assistencialistas como o bolsa família. O intuito não é fazer um juízo de certo ou errado em cima dessas, tal como na primeira parte que tratava do fim do período escravocrata, a questão abordada não foi "o fim da escravidão foi certo ou errado?". Essa análise tem por finalidade apenas entendermos que uma economia divina para uma futura ordem global, como prevê o cristo cósmico Baha'u'llah, não é nada extraordinário ou sobrenatural.


Baha'u'llah elogiou os feitos da Rainha Vitória em proibir o tráfico de escravos, mesmo que   para tal ação houvessem mais motivos econômicos do que humanitários. Com o assistencialismo estatal não é diferente.

As maiores críticas feitas ao governo do PT, por parte dos intelectuais de esquerda, se baseia no fato deste seguir sustentando o mesmo viés econômico neoliberal que o antecedia, no governo tucano. Entretanto, ninguém leva isso em conta na hora das eleições, até porque  tal partido não pode fazer muitas manobras econômicas, pois precisa sustentar os demais companheiros do Foro de São Paulo.

O cidadão que sai da miséria e consegue entrar no mercado de trabalho permanece grato, por algum tempo, a quem esteve lhe oferecendo a oportunidade, mas com o passar dos anos acaba percebendo que sua sorte depende muito mais do seu próprio esforço do que de um favor recebido outrora.[1] 

O cidadão acaba sendo visto como "ingrato", situação que o blogueiro Wilson Ferreira[2] identifica como "ovo da serpente" do PT: uma nova classe de pessoas que tiveram uma percepção de mobilidade social pelo mérito individual (e não pela assistência do governo) pronta para dar o bote. É por esses casos que o governo tende a suprir as necessidades (entenda como intrometer-se) cada vez mais em todas as etapas da vida dessa pessoa. 

Referências
[1]http://www.olavodecarvalho.org/semana/120912dc.html
[2]http://cinegnose.blogspot.com.br/2014/10/sociedade-de-consumo-e-o-ovo-da.html

domingo, 19 de outubro de 2014

Apóstolo Paulo foi um psicopata


O apóstolo Paulo, frente aos atuais conceitos, era um psicopata, conforme se pode ler aqui, segundo o psicólogo inglês Kevin Dutton:
“Bill Clinton, Steve Jobs, Franklin Roosevelt, James Bond, John F. Kennedy, Vladimir Putin, King David, the Apostle Paul – all of these, Dr. Dutton suggests, would doubtless score well on any psychopathic test.”
Para a ciência, o evangelho teve seu início marcado pela ação de uma pessoa com fortes tendências psicopatas. E como a ciência tem sempre razão, devemos acreditar também que aqueles que ainda dão créditos às psicopatias de Paulo sejam, na verdade, psicopatas em potencial.

sábado, 27 de setembro de 2014

Sede unidos, ó soberanos da Terra!...

Uma das características mais fortes daquele que seria o mundo unificado, dentro de uma perspectiva de Nova Ordem Mundial segundo Baha'u'llah, seria visível na concordância, por parte dos diversos governantes, em guerrear contra forças que de alguma maneira quebrassem a harmonia entre os povos.
Sede unidos, ó soberanos da Terra!... Para que desse modo sejam acalmadas as tempestades entre vós e vossos povos encontrem o sossego. Se algum de vós levantar armas contra outro, erguei-vos todos contra ele, pois isto nada mais é que justiça manifesta.[1]
Recentemente, o grupo jihadista Estado Islâmico, conhecido também pela sigla ISIS (Islamic State in Iraq and Syria), tem feito líderes de todas as partes do globo refletirem sobre a possibilidade de intervenção internacional nos lugares onde o grupo atua, territórios divididos na Síria e no Iraque.

O que difere tal grupo terrorista dos demais talvez seja a forte propaganda que este faz de si. Vídeos os quais mostram grupos minoritários, como xiitas e cristãos, sendo decapitadas são jogados aos montes na internet e causam grande comoção. A agitação promoveu um encontro entre líderes mundiais para estabelecer ações que neutralizassem as barbáries cometidas.

Mesmo a luta parecendo ser justa e necessária, não há nenhum ponto de referência que venha confirmar uma possível vitória por parte internacional. Isso faria da guerra um conflito gratuito. 

Os Países vizinhos aos territórios de atuação do ISIS não pediram nenhuma ajuda internacional. A intromissão de países que não têm suas seguranças nacionais ameaçadas pelo grupo serve, por um lado, como promoção da ideia de harmonia da aldeia global e serve também, por outro lado, para mostrar a ainda soberania estadunidense nas questões de guerra, até à sua submissão ao governo regido por um corpo executivo mundial.

Notas
[1] ARAÚJO,  Washington. Introdução ao Pensamento de Bahá'u'lláh. Editora Planeta Paz

sábado, 13 de setembro de 2014

A doçura no discurso do "Sim!"

O discurso que vem na mão da Nova Ordem Mundial se utiliza de uma estratégia linguística que parte da recorrência de "temas universais de consenso". Trata-se de abordar temas de fácil adesão, assuntos para os quais ninguém pode dizer um "não". Entretanto, tais são expostos de modo fragmentado, fora de um contexto e de caráter não-politizado.

A propaganda da ordem mundial se apropria de temas como o fim da miséria, o combate às doenças, a preservação do meio ambiente, entre outros objetivos (e não metas), e associa-os ao número, nome e sinal do cristo cósmico Baha'u'llah. Afinal, ninguém pode ser contra o fim da miséria, contra o combate às doenças, ou mesmo contra a preservação do meio ambiente.

De tão genérica que são as campanhas a favor de "um mundo melhor", nem nada nem ninguém é capaz de confrontá-las, o fazendo seria como "ser contra um mundo melhor". As divergências giram em torno da questão de "como fazer um mundo melhor?", mas o objetivo dessas campanhas não é responder a tal pergunta. É como no Rock in Rio 2001 cujo slogan foi "Por um mundo melhor", ninguém se levantou contra essa ideia, embora nada tenha se acrescentado à tentativa de realizá-la.

Isso ocorre não por falha dos idealizadores. Acontece que essa é uma responsabilidade de uma plêiade de iluminados, uma elite de pneumáticos. O cidadão comum fica apenas com a parte genérica e superficial do assunto. Mesmo com um parlamento mundial a coisa não mudaria. O caráter não-politizado da abordagem sobrepõe qualquer eventual resultado desta acima de críticas com viés político. É dessa maneira que a união civil de pares homossexuais, por exemplo, não está a cabo de partido A ou B, antes é um processo de agenda subsidiada por agências internacionais de lealdades supranacionais.

Aquele discurso doce do início só se mostrará amargo quando já for tarde demais para recusá-lo. 

sábado, 30 de agosto de 2014

Mais notas sobre o futuro

Deus já não é acessível ao Homem moderno. A significação dada pela doutrina bíblica para repetição dos “gestos” da natureza foi abandonada. Com isso, a repetição desses "gestos" sem um propósito à vista dos homens conduz a uma visão pessimista da existência.
O que é, afinal, o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; mas se me perguntarem e eu quiser explicar o que ele é, já não sei. — Santo Agostinho
Santo Agostinho, por exemplo, considerava o tempo como cíclico, o qual alternaria-se para além dos movimentos da natureza planetária também entre o período profano e o sagrado.  Essa concepção  de tempo acompanhou o pensamento humano enquanto este via Deus como soberano nessa questão, "o futuro a Deus pertence" dizia o senso-comum.  Para o Homem neo-gnóstico, o Tempo cíclico torna-se insuportável na medida em que se revela como um círculo rodando indefinidamente sobre si.

A partir do movimento iluminista, o homem tenta "tomar as rédeas do seu próprio destino" compreendendo que o futuro não pertence a outro senão a ele mesmo. Dessa maneira, os movimentos que pregam a vinda de um reino de paz e harmonia ganham força quando o homem se vê como um empreendedor dessa realidade utópica.

A revelação progressiva defendida por Bahá'u'lláh assume a posição de crescente sagrado, ou seja, o amadurecimento espiritual da humanidade é algo dado com certo. Neste sentido, os homens que se acham representantes do seu tempo, em oposição ao retrógrados que se opõe (como os verdadeiros cristãos), são tomados como exemplos desse dito amadurecimento espiritual. Basta vermos os engajados em agendas das Nações Unidas,  considerados auxiliadores da causa divina.

sábado, 23 de agosto de 2014

Qual a importância do noticiário?

A mídia que acomodamos passivamente carrega consigo a intenção, mesmo que não clara para a maioria, de estar suprindo uma necessidade imprescindível na vida do cidadão. Não só informar, jornalistas treinados vão mastigar os acontecimentos e regurgitá-los às nossas bocas, como uma mamãe pássaro alimenta seus filhotes que ainda estão no ninho.

Vemos isso no fato de a presença do repórter se mostrar mais importante do que a própria notícia em si. Quando se inicia um conflito no Oriente médio, o repórter precisa viajar milhares de quilômetros até o local do confronto e, vestindo uma roupa protetora, dizer que uma bomba pode cair a qualquer momento em sua cabeça. Ao mostrar as famílias que sofreram perdas, o mais importante é a sensibilidade do repórter capturada pelas câmeras, em um exercício metalinguístico: o jornal que fala do seu repórter.


Ideias como a do físico Heisenberg nos afirma ser impossível observar um objeto sem interferir em tal. Noticiaristas deveriam dobrar o cuidado já que além de observar, eles têm de descrevê-lo. Não obstante dois sentidos tão naturais ao ser humano, visão e fala, jornalistas ainda querem se utilizar de um suposto sexto-sentido. Essa capa de super-jornalista é adquirida ainda nos estudos nas faculdades, as quais oferecem seus cursos com o marketing apontando seus futuros formandos como agentes de transformação social.


Mas ainda parece ser outra a necessidade a ser suprida: depois do estresse do dia, faz-se preciso excretar os resíduos psíquicos para uma renovação para o dia seguinte. Em contraste com as complexas explicações históricas para conflitos no Oriente Médio, parece que é nos acontecimentos mais corriqueiros da vida do cidadão comum que a mídia estará buscando o ápice da sua produção, de tal forma que a levará à exaustão. Paralelamente às super-câmeras que capitam o pingo do suor caindo do rosto cansado do jogador de futebol, vão ser as câmeras de segurança domésticas, as de celulares e até mesmo as de canetas espiãs de qualidade péssima que cumprirão o papel de remontar a realidade tal como ela é nas ruas em um show de sensacionalismo dramático.

Na volta do trabalho para a sua casa, o indivíduo precisa fechar o ciclo de sua rotina ao se projetar para o restante do mundo, visto através das lentes das câmeras. É dessa maneira que o suspeito de assassinado, diante do microfone do repórter, se tornará o elemento sacrificial, como no mecanismo do bode expiatório teorizado por René Girard [1], para restabelecer a ordem à sociedade.


Precisamos acabar com essa sensação dos noticiários serem parte indispensável da vida do cidadão. Primeiramente no âmbito individual, em seguida levantando discussões sobre a relevância do noticiado. A televisão precisa deixar de ser o banheiro do nosso psicológico.

Notas:
[1] O bode expiatório em René Girard: documento.